na madrugada
(nada veloz)
tua voz passeia
sonâmbula e distraída
pela cama
suando lembrança e silêncio.
sexta-feira, março 07, 2014
sábado, março 01, 2014
sobre as lágrimas contidas
a vida tem dessas de ludibriar, de fazer labirinto, de esconder o rosto e não dar a cara a tapa, de jogar no deserto as mentiras.
sem querer de repente o vidro se faz limpo e a rosa aflora, mesmo que a vontade seja a de correr, apesar dos saltos em pedras e montanhas, deixar cair o sentimento por uma cachoeira abaixo que ainda não foi inventada.
mas eu escrevo, eu desenho, eu tatuo na pele água violenta que grita liberdade, que quer ser mundo, e que daria todas suas gotas e sal pra não estar aqui agora.
porque o suicídio em serpentinas nasceu, mas o carnaval ficou mudo. os confetes caídos não foram recolhidos e nem a máscara que te toquei sorriu. não soltou das mãos a flauta, o balanço nem a arma que me calava.
presa na madrugada, preferi deixar o sono te embalar a acordar com o céu nublado dos teus olhos.
sem querer de repente o vidro se faz limpo e a rosa aflora, mesmo que a vontade seja a de correr, apesar dos saltos em pedras e montanhas, deixar cair o sentimento por uma cachoeira abaixo que ainda não foi inventada.
mas eu escrevo, eu desenho, eu tatuo na pele água violenta que grita liberdade, que quer ser mundo, e que daria todas suas gotas e sal pra não estar aqui agora.
porque o suicídio em serpentinas nasceu, mas o carnaval ficou mudo. os confetes caídos não foram recolhidos e nem a máscara que te toquei sorriu. não soltou das mãos a flauta, o balanço nem a arma que me calava.
presa na madrugada, preferi deixar o sono te embalar a acordar com o céu nublado dos teus olhos.
domingo, fevereiro 16, 2014
teu beijou desenhou uma tatuagem nas minhas palavras. deixaram de ser linhas tortas para serem desenhos, pinturas e paisagem desse mundo que toco e escondo pela janela.
pinto teu olhar calado, teu respirar receoso pelos tragos que dou, lembrança de te abraçar com calma e amanhecer não quando o sol nasce, mas quando te vejo sorrir.
pinto teu olhar calado, teu respirar receoso pelos tragos que dou, lembrança de te abraçar com calma e amanhecer não quando o sol nasce, mas quando te vejo sorrir.
na rua, uma lembrança volante
pedalando pela ciclovia
apostando corrida com o esquecimento.
tanta coisa caiu da bicileta
deixou rastro no caminho
pegadas de lugares e segundos fugitivos.
na vida só não se transforma
o que se muda todo dia
é possível o amor ir embora assim
tão vivo,
tão rebelde,
tão recém-nascido?
pedalando pela ciclovia
apostando corrida com o esquecimento.
tanta coisa caiu da bicileta
deixou rastro no caminho
pegadas de lugares e segundos fugitivos.
na vida só não se transforma
o que se muda todo dia
é possível o amor ir embora assim
tão vivo,
tão rebelde,
tão recém-nascido?
terça-feira, fevereiro 04, 2014
quarta-feira, janeiro 22, 2014
- estou enlouquecendo, carlos. e não há hospício forte o suficiente para aguentar a minha loucura, a minha queda que é a própria gravidade.
o homem piscou os olhos, como quem tenta tirar poeira dos cantinhos da vista. talvez uma tentativa de entender o que essa mulher sentia. era dor, era tristeza, era tédio? não sabia, talvez nunca viesse a saber.
mas é na desconfiança que se criam os laços. não na desconfiança dolorosa cheia de rancor, mas na falta de confiança numa certeza.
e agora? onde colocaria sua cabeça encostada? não há ombro que suporte esse peso nem cama que não pegue fogo com o calor dos pensamentos. talvez a jogue num parque com um gramado tão extenso que lembre as ondas do mar.
- são as cores de uma aquarela atiradas na parede de um quarto sem portas ou janela. é a embriaguez sem licor nem vinho, talvez de um café que se esvai com sua fumaça quente pelo mundo. sou o apito do silêncio nesses dias vazios e sem dó.
foi até o umbral respirar o vento, esse desses dias de verão que lembram a infância. talvez dar-lhe as mãos a console, é um gesto de presença forte, de desenho marcado para o momento da solidão. mas como se não lhe resta mais força para agarrar forte em qualquer coisa que emane o agora, o instante e a própria tentativa de escapar de dentro de si?
é o perigo da entrega. não resta força, mas sobra tudo que grita. são as curvas e contorno de frida kahlo, aparentes elevações de todos os sinais do mundo.
- sabe quem eu queria que estivesse aqui? não, eu também não sei. é possível alguém que me olhe e me escreva? também na arte fugimos. não por covardia, mas por libertação. peço apenas algumas linhas tortas, alguém que se faça de deus e que escute minhas orações. e que nesse momento guie meus passos.
não é fé de que precisa. é de sentir-se parte de cada palavra, da imagem que é a criação. é procurar no absurdo algo que seja aceito dentro do que entendemos. afinal, não a tiraria dali. não adiantaria levá-la para um passeio ou para jantar.
cansado, desolado e sem saída, começou a pintar seus contornos.
o homem piscou os olhos, como quem tenta tirar poeira dos cantinhos da vista. talvez uma tentativa de entender o que essa mulher sentia. era dor, era tristeza, era tédio? não sabia, talvez nunca viesse a saber.
mas é na desconfiança que se criam os laços. não na desconfiança dolorosa cheia de rancor, mas na falta de confiança numa certeza.
e agora? onde colocaria sua cabeça encostada? não há ombro que suporte esse peso nem cama que não pegue fogo com o calor dos pensamentos. talvez a jogue num parque com um gramado tão extenso que lembre as ondas do mar.
- são as cores de uma aquarela atiradas na parede de um quarto sem portas ou janela. é a embriaguez sem licor nem vinho, talvez de um café que se esvai com sua fumaça quente pelo mundo. sou o apito do silêncio nesses dias vazios e sem dó.
foi até o umbral respirar o vento, esse desses dias de verão que lembram a infância. talvez dar-lhe as mãos a console, é um gesto de presença forte, de desenho marcado para o momento da solidão. mas como se não lhe resta mais força para agarrar forte em qualquer coisa que emane o agora, o instante e a própria tentativa de escapar de dentro de si?
é o perigo da entrega. não resta força, mas sobra tudo que grita. são as curvas e contorno de frida kahlo, aparentes elevações de todos os sinais do mundo.
- sabe quem eu queria que estivesse aqui? não, eu também não sei. é possível alguém que me olhe e me escreva? também na arte fugimos. não por covardia, mas por libertação. peço apenas algumas linhas tortas, alguém que se faça de deus e que escute minhas orações. e que nesse momento guie meus passos.
não é fé de que precisa. é de sentir-se parte de cada palavra, da imagem que é a criação. é procurar no absurdo algo que seja aceito dentro do que entendemos. afinal, não a tiraria dali. não adiantaria levá-la para um passeio ou para jantar.
cansado, desolado e sem saída, começou a pintar seus contornos.
você me empurrou do quinto andar.
não o corpo
ou os sapatos
nem as flores que nunca existiram.
foram os gestos que te dei
embrulhados em fitas coloridas
e papéis regados de tempo e saudade.
o corpo livre dos abraços
não há marcas de unhas nas pinturas
nem o som do violão nas tardes de domingo.
não voei quando caí
talvez porque tivesse pernas
talvez porque tivesse mãos que fazem poesia.
mas não voei,
não voei.
e caí.
não o corpo
ou os sapatos
nem as flores que nunca existiram.
foram os gestos que te dei
embrulhados em fitas coloridas
e papéis regados de tempo e saudade.
o corpo livre dos abraços
não há marcas de unhas nas pinturas
nem o som do violão nas tardes de domingo.
não voei quando caí
talvez porque tivesse pernas
talvez porque tivesse mãos que fazem poesia.
mas não voei,
não voei.
e caí.
terça-feira, janeiro 14, 2014
você nunca me deu uma flor. estando num barquinho em veneza ou num ônibus na suburbana. sequer o cheiro das pétalas passou longe, essência de carinhos, saudades e paixões suaves.
por que, sendo tão humana, não tenho direito a segurar algo que se esvai como um sopro, mas que é belo, é belo, é belo. é o amor em formato de vida, é a vida em sua esfera mais animal e feliz.
não quero a delicadeza de uma margarida ou os espinhos de uma rosa. tampouco o sol que gira do girassol amarelo. quero sentir seu cheiro, o sorriso de flor se abrindo para o mundo e pedindo para ser tocada e salva do asfalto, que é a maior solidão que podemos ter.
quero uma flor pra guardar o tempo que cai em seus braços como o orvalho chega toda manhã. quero soprar seu pólen em minhas poesias frágeis e famintas.
você nunca me deu uma flor, porque a madrugada serena sempre volta, porque meus olhos brilham demais e meu corpo parece feito de galhos, folhas e pétalas.
por que, sendo tão humana, não tenho direito a segurar algo que se esvai como um sopro, mas que é belo, é belo, é belo. é o amor em formato de vida, é a vida em sua esfera mais animal e feliz.
não quero a delicadeza de uma margarida ou os espinhos de uma rosa. tampouco o sol que gira do girassol amarelo. quero sentir seu cheiro, o sorriso de flor se abrindo para o mundo e pedindo para ser tocada e salva do asfalto, que é a maior solidão que podemos ter.
quero uma flor pra guardar o tempo que cai em seus braços como o orvalho chega toda manhã. quero soprar seu pólen em minhas poesias frágeis e famintas.
você nunca me deu uma flor, porque a madrugada serena sempre volta, porque meus olhos brilham demais e meu corpo parece feito de galhos, folhas e pétalas.
tristeza canta o choro da aurora
das reticências entre mim e o adeus
das dores em trânsito,
viajantes do mundo.
versos multifacetários
invasores dos sopros de meu pensamento
escrevem sentidos em linhas tortas
e em linhas tortas uma reta sem fim.
retira, tu, essas rimas
de quem não sabe esperar
e foge, impaciente,
pra onde não haja canto
nem aurora
nem caminhos indecifráveis.
das reticências entre mim e o adeus
das dores em trânsito,
viajantes do mundo.
versos multifacetários
invasores dos sopros de meu pensamento
escrevem sentidos em linhas tortas
e em linhas tortas uma reta sem fim.
retira, tu, essas rimas
de quem não sabe esperar
e foge, impaciente,
pra onde não haja canto
nem aurora
nem caminhos indecifráveis.
segunda-feira, janeiro 06, 2014
samba do desencontro
grita, tambor,
o dia de ti ausente
passos na saudade pisam
no compasso sem batida.
com essa voz de cuíca
beija a poesia e os cantos distantes.
onde samba você?
danço na praia
acordo nos mirantes
e por aí escuto teu cheiro.
o dia de ti ausente
passos na saudade pisam
no compasso sem batida.
com essa voz de cuíca
beija a poesia e os cantos distantes.
onde samba você?
danço na praia
acordo nos mirantes
e por aí escuto teu cheiro.
por que o vento apaga o fogo
quando se esconde
a chama pelas cavernas e celeiros
nas noites frias
de carnaval a janeiro?
carregados de palavras não ditas
queima o mundo em segredos
rios secos e sem rumo
pelos fósforos nunca acesos.
abre tuas flamas, corcel sem dono
traz o vento nas asas
pula as luas sem ferir cicatriz
porque o que se é só se transforma
quando se grita o que nunca se diz.
quando se esconde
a chama pelas cavernas e celeiros
nas noites frias
de carnaval a janeiro?
carregados de palavras não ditas
queima o mundo em segredos
rios secos e sem rumo
pelos fósforos nunca acesos.
abre tuas flamas, corcel sem dono
traz o vento nas asas
pula as luas sem ferir cicatriz
porque o que se é só se transforma
quando se grita o que nunca se diz.
domingo, dezembro 29, 2013
deixa eu te contar um segredo.
acordaram hoje as horas soprando o tempo contra mim, dizendo baixinho nos meus ouvidos que não há barco no mar nem bicicleta na avenida.
pediram pr'eu deixar o café da manhã pra depois e correr contra o vento, empurrá-lo para outra direção em que só nós dois conhecemos.
os abraços não foram embora, apenas descansam em jejum um calor que perpassa o corpo inteiro. corpo que cala, mas que quer cantar um bolero desses espanhóis em que a dança se torna meio beijo e sorrisos.
dança comigo? abre a porta de casa e deixa a janela ser quadro do mundo. passos em falso, corpos girando, pula para o jardim cheio de flores, verdes, azuis e violetas. dança um encontro cheio de desencontros, mas livre para abraçar o agora, o sempre e talvez depois um nunca mais.
não é tão segredo assim, porque meus olhos escancaram o peso da alma, mas a dança, o jardim e o abraço se escondem dentro de mim, e agora te dou tudo com essas palavras que sem controle transbordam pelas brechas de qualquer cadeado.
acordaram hoje as horas soprando o tempo contra mim, dizendo baixinho nos meus ouvidos que não há barco no mar nem bicicleta na avenida.
pediram pr'eu deixar o café da manhã pra depois e correr contra o vento, empurrá-lo para outra direção em que só nós dois conhecemos.
os abraços não foram embora, apenas descansam em jejum um calor que perpassa o corpo inteiro. corpo que cala, mas que quer cantar um bolero desses espanhóis em que a dança se torna meio beijo e sorrisos.
dança comigo? abre a porta de casa e deixa a janela ser quadro do mundo. passos em falso, corpos girando, pula para o jardim cheio de flores, verdes, azuis e violetas. dança um encontro cheio de desencontros, mas livre para abraçar o agora, o sempre e talvez depois um nunca mais.
não é tão segredo assim, porque meus olhos escancaram o peso da alma, mas a dança, o jardim e o abraço se escondem dentro de mim, e agora te dou tudo com essas palavras que sem controle transbordam pelas brechas de qualquer cadeado.
sexta-feira, dezembro 27, 2013
mania de não escutar nada,
de andar com os pés sem rumo,
cabelos perdidos no mundo,
de jogar o corpo inteiro
guardando segredo por todos os lados.
mania de chorar escondida,
de escutar zeca baleiro e
paulinho da viola,
de cantar a desilusão várias vezes
por ter acreditado em qualquer coisa
que bateu forte quando quebrou.
mania de ir embora depois
mas de sempre acharem que fui antes
de não abraçar forte quando quer
de tentar dormir sem conseguir
e de agora querer um momento a mais com você.
de andar com os pés sem rumo,
cabelos perdidos no mundo,
de jogar o corpo inteiro
guardando segredo por todos os lados.
mania de chorar escondida,
de escutar zeca baleiro e
paulinho da viola,
de cantar a desilusão várias vezes
por ter acreditado em qualquer coisa
que bateu forte quando quebrou.
mania de ir embora depois
mas de sempre acharem que fui antes
de não abraçar forte quando quer
de tentar dormir sem conseguir
e de agora querer um momento a mais com você.
quinta-feira, dezembro 26, 2013
poema para minha vó
deixo para o esquecimento
teus cabelos brancos
a falta de ar
o medo da morte.
ainda não fui te visitar,
pois guardo o choro contido em mim
das idas da escola até em casa, passeios
rápidos com a bengala e boina de meu avô.
tuas sílabas soltas de abraços soluçantes
gritos intactos das lembranças de outrora
pássaros que cantam a memória de todos nós.
te dou fotos, desenhos e beijos
que tanto alimento no baú do quarto da penha
balanços vazios, corredores sem crianças
a cozinha não tem mais pastéis nem bolos.
é natal, e o hospital está cheio
os olhos pedindo casa
a vida pedindo fica.
guardo o adeus nesses versos
tentativa de ser anos atrás.
teus cabelos brancos
a falta de ar
o medo da morte.
ainda não fui te visitar,
pois guardo o choro contido em mim
das idas da escola até em casa, passeios
rápidos com a bengala e boina de meu avô.
tuas sílabas soltas de abraços soluçantes
gritos intactos das lembranças de outrora
pássaros que cantam a memória de todos nós.
te dou fotos, desenhos e beijos
que tanto alimento no baú do quarto da penha
balanços vazios, corredores sem crianças
a cozinha não tem mais pastéis nem bolos.
é natal, e o hospital está cheio
os olhos pedindo casa
a vida pedindo fica.
guardo o adeus nesses versos
tentativa de ser anos atrás.
deitei os olhos no céu
e desenhei com o sentir teu sorriso
cor de nuvem
e meio tempestade.
o sol pede um abraço
e canta uma lembrança da lua para mim.
tenho medo de incendiar o corpo
e não achar o caminho de volta pro mar.
se eu pairasse o pensamento no vento
ele o levaria para onde você está?
o céu é muito grande
o sol muito explosivo
a lua chama meus delírios
mas o vento
o vento vai para qualquer lugar.
(basta um sopro)
e desenhei com o sentir teu sorriso
cor de nuvem
e meio tempestade.
o sol pede um abraço
e canta uma lembrança da lua para mim.
tenho medo de incendiar o corpo
e não achar o caminho de volta pro mar.
se eu pairasse o pensamento no vento
ele o levaria para onde você está?
o céu é muito grande
o sol muito explosivo
a lua chama meus delírios
mas o vento
o vento vai para qualquer lugar.
(basta um sopro)
quinta-feira, dezembro 19, 2013
lágrima
não chorei rios
nem um oceano.
tampouco alaguei lembranças
ao som de festas e corais.
caiu uma lágrima
tulipa solitária
pedaço fugidio de mim.
era ela
o abraço nunca dado
os segredos esquecidos
a dor do parto de se nascer felicidade e angústia.
nem um oceano.
tampouco alaguei lembranças
ao som de festas e corais.
caiu uma lágrima
tulipa solitária
pedaço fugidio de mim.
era ela
o abraço nunca dado
os segredos esquecidos
a dor do parto de se nascer felicidade e angústia.
Molhei os olhos no mar
e sequei os pés nos finos grãos
sem querer deixei para trás o teu abraço
sem querer te deixei escorrer
entre as minhas mãos.
Acordei sem vestígio
do alto eu um tiro
no céu que pendura as lembranças
é o mesmo céu de onde me atiro.
Amanheço as estrelas em segredo
levanto o corpo tolo em enredo
junto o canto a navegar tua pele
deixo o corpo todo a nau que tu navegue.
com Felipe Andrade
e sequei os pés nos finos grãos
sem querer deixei para trás o teu abraço
sem querer te deixei escorrer
entre as minhas mãos.
Acordei sem vestígio
do alto eu um tiro
no céu que pendura as lembranças
é o mesmo céu de onde me atiro.
Amanheço as estrelas em segredo
levanto o corpo tolo em enredo
junto o canto a navegar tua pele
deixo o corpo todo a nau que tu navegue.
com Felipe Andrade
mataram minha mulher.
não sei até hoje o que senti, em 1982.
só abri os olhos quando me lembraram que era verdade.
um tiro no banco, mas também no coração.
foi-se embora a mágoa, a felicidade e o meu filho em seu ventre.
se fazia frio, se havia pessoas sorrindo na rua e o natal chegava,
eu não sei.
lembro apenas do mundo embaçado, da minha pele cor de arrepio,
do prédio de 19 andares de onde não me deixaram que me jogasse.
bruta flor, diamante não lapidado, sonho de uma noite de verão.
é a vida esse fragmento rabiscado?
não sei até hoje o que senti, em 1982.
só abri os olhos quando me lembraram que era verdade.
um tiro no banco, mas também no coração.
foi-se embora a mágoa, a felicidade e o meu filho em seu ventre.
se fazia frio, se havia pessoas sorrindo na rua e o natal chegava,
eu não sei.
lembro apenas do mundo embaçado, da minha pele cor de arrepio,
do prédio de 19 andares de onde não me deixaram que me jogasse.
bruta flor, diamante não lapidado, sonho de uma noite de verão.
é a vida esse fragmento rabiscado?
quarta-feira, dezembro 11, 2013
desamparo
deitei as mãos no umbral
como quem escreve as dores no papel
parte presa, parte pássaro
pedi pro céu carregar meu olhar.
a angústia escondida na casa que sou
a vida escapando janela a fora
deixei a poeira escolher seu lugar.
o que resta são os móveis
gavetas cheias de acasos e segredos.
e o jardim
que finge abrir flores de eternidade.
como quem escreve as dores no papel
parte presa, parte pássaro
pedi pro céu carregar meu olhar.
a angústia escondida na casa que sou
a vida escapando janela a fora
deixei a poeira escolher seu lugar.
o que resta são os móveis
gavetas cheias de acasos e segredos.
e o jardim
que finge abrir flores de eternidade.
pulsa.
que a vida é canto sem demora
sem ir embora
fica,
que o mundo não gira mais
mas sofre
chora
dói.
e agora, o que eu faço?
se nas mãos só tenho areia seca
que em um dia tocou o mar na lembrança
e agora foge das ondas
a escorrer como suor.
senta comigo,
não tenho banco nem praça
só o balanço pelas ruas cansadas.
te chamo pra fugir dessa história
cheia de mágoas, rachas e razão.
fecho os olhos,
não para dormir,
mas para espantar o choro
esse que me acompanha quando lembro
que tudo é tão maior que nós dois
que nossas mãos dadas escondidas
e até mesmo que o amanhecer é cúmplice de todos os crimes...
que a vida é canto sem demora
sem ir embora
fica,
que o mundo não gira mais
mas sofre
chora
dói.
e agora, o que eu faço?
se nas mãos só tenho areia seca
que em um dia tocou o mar na lembrança
e agora foge das ondas
a escorrer como suor.
senta comigo,
não tenho banco nem praça
só o balanço pelas ruas cansadas.
te chamo pra fugir dessa história
cheia de mágoas, rachas e razão.
fecho os olhos,
não para dormir,
mas para espantar o choro
esse que me acompanha quando lembro
que tudo é tão maior que nós dois
que nossas mãos dadas escondidas
e até mesmo que o amanhecer é cúmplice de todos os crimes...
sábado, novembro 30, 2013
se eu morrer amanhã,
não jogue flores no túmulo
nem beije minhas fotografias.
não apresse o choro
a desaguar no mar
nem inunde minha casa com abraços partidos.
não venha arrancar as lembranças sonolentas
da terra fértil e inocente.
não amanheça querendo ser nuvem teimosa
ou chuva de verão.
se eu morrer amanhã,
apenas viva mais um dia por mim.
não jogue flores no túmulo
nem beije minhas fotografias.
não apresse o choro
a desaguar no mar
nem inunde minha casa com abraços partidos.
não venha arrancar as lembranças sonolentas
da terra fértil e inocente.
não amanheça querendo ser nuvem teimosa
ou chuva de verão.
se eu morrer amanhã,
apenas viva mais um dia por mim.
sexta-feira, novembro 22, 2013
já não sou mais tão nova quanto antes,
mas ainda não tenho 25 anos de sonho e de sangue e de américa do sul.
estou na idade do desencontro
de andar de olhos fechados na corda bamba.
se cair, ainda voo?
se voar, ainda sonho?
em cada manhã, uma porta.
caminhos de pedras e poemas,
sem ritmo, sem setas
sem reta final.
(por hoje só)
mas ainda não tenho 25 anos de sonho e de sangue e de américa do sul.
estou na idade do desencontro
de andar de olhos fechados na corda bamba.
se cair, ainda voo?
se voar, ainda sonho?
em cada manhã, uma porta.
caminhos de pedras e poemas,
sem ritmo, sem setas
sem reta final.
(por hoje só)
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