só canto o abraço
a perda
a poesia.
o toque me engole a existência
o tempo parado no escuro
a noite silenciosa do adeus
a memória deixa passos no asfalto
se esconde atrás da porta entreaberta
mulher de costas nuas no porta-retrato.
mergulho no arpoador
suicídio do dia
parto doloroso da lua
queria jogar o cigarro pro alto
e viver do enigma ritmado.
terça-feira, maio 20, 2014
ainda há tempo
de esconder as linhas da mão
de fugir do vício do amanhã
de acalmar a fera embaixo da cama.
correr muros de frases soltas
arrombar a casa descuidada
arrumar a bagunça da janela no verão.
subi no mundo e disse calma
que ainda tenho uns segundos
pra decidir se sou freira
puta ou cigana.
ainda há tempo
de cochilar o nunca mais
e desenhar o de repente.
de esconder as linhas da mão
de fugir do vício do amanhã
de acalmar a fera embaixo da cama.
correr muros de frases soltas
arrombar a casa descuidada
arrumar a bagunça da janela no verão.
subi no mundo e disse calma
que ainda tenho uns segundos
pra decidir se sou freira
puta ou cigana.
ainda há tempo
de cochilar o nunca mais
e desenhar o de repente.
dizem que estou enveredando por caminhos tortos. que da vida não sei medir nem o início nem o fim. que perdi o trem das oito, que o trem das 9 quebrou em santa cruz e tive que ir andando pelos trilhos cantando o silêncio.
não tenho sapatos, por isso os pés queimam no sol e pedem consolo no frio que existe em alguns cantos do país. às vezes correm, depois cansam e choram pela nudez tão sóbria, tão quieta, tão exata.
acordo e não há sonho que me desperte, não há relógio que me levite. é o arroz cru sem gosto aparente que como, claro e insosso como o hiatus que caiu em mim.
o que dizem também digo, mesmo sem dizer, sem nem mesmo sussurrar, mas quando a gente diz é como se já não tivesse pra onde correr. é como aceitar a missa no domingo e ajoelhar pra rezar até conseguir dar à luz um milagre vivo.
não tenho sapatos, por isso os pés queimam no sol e pedem consolo no frio que existe em alguns cantos do país. às vezes correm, depois cansam e choram pela nudez tão sóbria, tão quieta, tão exata.
acordo e não há sonho que me desperte, não há relógio que me levite. é o arroz cru sem gosto aparente que como, claro e insosso como o hiatus que caiu em mim.
o que dizem também digo, mesmo sem dizer, sem nem mesmo sussurrar, mas quando a gente diz é como se já não tivesse pra onde correr. é como aceitar a missa no domingo e ajoelhar pra rezar até conseguir dar à luz um milagre vivo.
domingo, maio 04, 2014
canta todas as músicas
que não calará o pássaro rebelde
voando dentro de mim.
pois os rios não são o bastante:
o oceano conhece mundos
derruba terras.
não há órgãos pulsantes
que amansem meu corpo
não há toque tão próximo
que acalme a ânsia.
pode correr pelo deserto
pode buscar os passos
que quando chegar
nem o eco da minha voz estará presente.
que não calará o pássaro rebelde
voando dentro de mim.
pois os rios não são o bastante:
o oceano conhece mundos
derruba terras.
não há órgãos pulsantes
que amansem meu corpo
não há toque tão próximo
que acalme a ânsia.
pode correr pelo deserto
pode buscar os passos
que quando chegar
nem o eco da minha voz estará presente.
segunda-feira, abril 28, 2014
queria viver de frente pro mar. que as ondas tocassem os pés sem arrastá-los, sem exigências de mergulhos profundos ou vida à deriva. apenas o silêncio do horizonte, a alma meio céu e meio água, o alcance da inundação e do voo calmo.
deitada na areia, o sol a pino no corpo cobre, os olhos cheios de maresia e viagem. é possível afagar esse instante, essa calmaria que precede a violência e abraçá-la como um amor que vai embora?
deitada na areia, o sol a pino no corpo cobre, os olhos cheios de maresia e viagem. é possível afagar esse instante, essa calmaria que precede a violência e abraçá-la como um amor que vai embora?
e se eu te disser
que vou embora do mundo
que vou ser raimundo
nas rimas de drummond?
e se eu te jurar
que pego o barco agora
saio por aí sem rumo
sereia dos mares nunca d'antes navegados?
e se eu te escrever do atacama
com o desenho dos teus olhos
maquiados de sol e sede
e nas minhas mãos a poeira da saudade?
será que assim tu responde meu gesto?
cor de fúria e fuga
que não faz pergunta
mas pede a resposta.
que vou embora do mundo
que vou ser raimundo
nas rimas de drummond?
e se eu te jurar
que pego o barco agora
saio por aí sem rumo
sereia dos mares nunca d'antes navegados?
e se eu te escrever do atacama
com o desenho dos teus olhos
maquiados de sol e sede
e nas minhas mãos a poeira da saudade?
será que assim tu responde meu gesto?
cor de fúria e fuga
que não faz pergunta
mas pede a resposta.
alguma coisa tua ficou em mim
não sei se o beijo no cais
(porque está sempre indo embora)
ou a falta do adeus.
pode ter sido o olhar corriqueiro
a saudade que não existe
ou tua forma de me dizer
garota, talvez eu te veja amanhã
ou quem sabe nunca mais.
a vida é tão só desencontro
que quando os corpos se acham,
assim por achar
faz mal o toque ser uma viagem só de ida
pra lá de marrakesh
ou pra baixo dos lençóis.
deixa o céu chover
queimar a pele em dia de sol
até arder as conversas e o sorriso
esquece o amor e a paixão
mas foge
foge assim pra qualquer lugar comigo.
não sei se o beijo no cais
(porque está sempre indo embora)
ou a falta do adeus.
pode ter sido o olhar corriqueiro
a saudade que não existe
ou tua forma de me dizer
garota, talvez eu te veja amanhã
ou quem sabe nunca mais.
a vida é tão só desencontro
que quando os corpos se acham,
assim por achar
faz mal o toque ser uma viagem só de ida
pra lá de marrakesh
ou pra baixo dos lençóis.
deixa o céu chover
queimar a pele em dia de sol
até arder as conversas e o sorriso
esquece o amor e a paixão
mas foge
foge assim pra qualquer lugar comigo.
segunda-feira, abril 21, 2014
gabo
queria ter te conhecido
pra dizer que o cheiro das amêndoas
e da amargura
são filhos de sangue e suor
dessa américa latina cheia de cólera.
era pra ter vivido mais de cem anos.
podia ser na solidão
ou no campo cheio de pássaros.
(que a vida sempre vale mais)
e agora
que faço eu com os livros interminados
com esse medo de concluir que o amor é um demônio
maior que minha insônia,
eterno derrotado da morte?
pra dizer que o cheiro das amêndoas
e da amargura
são filhos de sangue e suor
dessa américa latina cheia de cólera.
era pra ter vivido mais de cem anos.
podia ser na solidão
ou no campo cheio de pássaros.
(que a vida sempre vale mais)
e agora
que faço eu com os livros interminados
com esse medo de concluir que o amor é um demônio
maior que minha insônia,
eterno derrotado da morte?
da ausência
da faca nasceram as palavras
distantes como o horizonte
ausentes como um olhar nublado.
na casa o adeus nunca dito
fica a boca sem mexer o músculo
mão fechada na mesa de jantar.
não adianta correr
pra pasárgada que não existe
mas aqui também o sabiá não canta.
o abraço sem lembrança
as roupas nunca escolhidas
pegadas sem rastro de passos.
se um dia for embora
é como se nunca tivesse ido
pois para ir
é preciso em tempo antes ter nascido.
distantes como o horizonte
ausentes como um olhar nublado.
na casa o adeus nunca dito
fica a boca sem mexer o músculo
mão fechada na mesa de jantar.
não adianta correr
pra pasárgada que não existe
mas aqui também o sabiá não canta.
o abraço sem lembrança
as roupas nunca escolhidas
pegadas sem rastro de passos.
se um dia for embora
é como se nunca tivesse ido
pois para ir
é preciso em tempo antes ter nascido.
domingo, abril 13, 2014
tu me lembra olhar de soslaio
cheiro de café e cigarro
e esgar de lábios inconstante.
ainda não sei teu sobrenome
mas já te abri das mãos um poema
um pouco rápido e tímido
com gosto de conversa incompleta.
se um dia o corpo esbarrar no teu
juro que te conto um segredo
e te mostro um filme
desses de desconhecidos
que às vezes fica empoeirado no instante.
cheiro de café e cigarro
e esgar de lábios inconstante.
ainda não sei teu sobrenome
mas já te abri das mãos um poema
um pouco rápido e tímido
com gosto de conversa incompleta.
se um dia o corpo esbarrar no teu
juro que te conto um segredo
e te mostro um filme
desses de desconhecidos
que às vezes fica empoeirado no instante.
segunda-feira, abril 07, 2014
sinto o teu respirar lento
acalanto de amores passados
peso de uma vida apostando corrida
esquecimento de um longo abraço.
inspiração insegura
não cheira o canto
poesia de mão dupla
recorte dos olhares que não se encontram.
mãos trêmulas às vezes se conhecem
num mundo longínquo pra onde viajam
corpos ainda dançam sozinhos
e permanece o silêncio da manhã pingando a suor.
acalanto de amores passados
peso de uma vida apostando corrida
esquecimento de um longo abraço.
inspiração insegura
não cheira o canto
poesia de mão dupla
recorte dos olhares que não se encontram.
mãos trêmulas às vezes se conhecem
num mundo longínquo pra onde viajam
corpos ainda dançam sozinhos
e permanece o silêncio da manhã pingando a suor.
me aconteceu uma dor
e eu não sabia
se era choro
se era grito
se era noite
ou se era dia.
veio em mim silenciosa
a lâmina no sexo
as mãos na boca
não houve abraço
beijo minguado
apenas um soco na pele oca.
estirada na rua
vi um pássaro voar
mas não em vão.
carregava uma lágrima que dizia
- hoje ele passou
mas amanhã não passarão.
e eu não sabia
se era choro
se era grito
se era noite
ou se era dia.
veio em mim silenciosa
a lâmina no sexo
as mãos na boca
não houve abraço
beijo minguado
apenas um soco na pele oca.
estirada na rua
vi um pássaro voar
mas não em vão.
carregava uma lágrima que dizia
- hoje ele passou
mas amanhã não passarão.
terça-feira, março 25, 2014
vem cá,
me dá um beijo
deixa nascer um pássaro do abraço
que não cante saudade nem lamento
que toque os lábios nas flores a nascer.
deixa pra depois o não dito
o poema desfeito
e o jantar sem vinho, vela e violão.
acorda do esquecimento o retrato
paisagem de mãos dadas
rio caudaloso de palavras
e viagens sem fim.
vamos dar uma volta na música
cantar o sorriso nascente
criança de mundo novo
experiente nas incertezas do que vem.
me dá um beijo
deixa nascer um pássaro do abraço
que não cante saudade nem lamento
que toque os lábios nas flores a nascer.
deixa pra depois o não dito
o poema desfeito
e o jantar sem vinho, vela e violão.
acorda do esquecimento o retrato
paisagem de mãos dadas
rio caudaloso de palavras
e viagens sem fim.
vamos dar uma volta na música
cantar o sorriso nascente
criança de mundo novo
experiente nas incertezas do que vem.
reescrevendo o poema
fui embora de mansinho, para que as lembranças não ficassem penduradas nos cabides nem nas maçanetas. não escancarei a janela da sala, não pulei o muro que me prendia nem me fiz pássaro.
simplesmente acordei, tomei meu café, fumei um cigarro pra escrever (mas não escrevi) e abri a porta de leve, bem devagar, pra não fazer o barulho de quem futuca o passado.
não arranhei o corpo quando coloquei o pé na rua, mas deixei as digitais para trás, um pouco da pele arrepiada e até mesmo um pedaço de chocolate na geladeira.
se me perguntarem, não sei. não sei como aqueles poemas que vêm na cabeça e simplesmente nascem sozinhos, sem precisar de alguém que os dê à luz. só vou andando, pulando pedrinhas, mergulhando nas esquinas solitárias e nos becos sem saída.
na partitura que desenhei, ainda não toquei as notas, mas suspirei tantos silêncios que a melodia me agradece com mãos dadas e uma corda bamba pra eu seguir em frente.
simplesmente acordei, tomei meu café, fumei um cigarro pra escrever (mas não escrevi) e abri a porta de leve, bem devagar, pra não fazer o barulho de quem futuca o passado.
não arranhei o corpo quando coloquei o pé na rua, mas deixei as digitais para trás, um pouco da pele arrepiada e até mesmo um pedaço de chocolate na geladeira.
se me perguntarem, não sei. não sei como aqueles poemas que vêm na cabeça e simplesmente nascem sozinhos, sem precisar de alguém que os dê à luz. só vou andando, pulando pedrinhas, mergulhando nas esquinas solitárias e nos becos sem saída.
na partitura que desenhei, ainda não toquei as notas, mas suspirei tantos silêncios que a melodia me agradece com mãos dadas e uma corda bamba pra eu seguir em frente.
te disse que ia embora
e apenas fui.
não com as ondas ou com o vento,
deixei até o sereno cair.
furei o pneu da bicicleta
não escancarei a janela do quarto
nem esvaziei por inteiro o mar.
andei devagar e lento
como quem foge em segredo
não larguei a sapatilha para trás.
se me perguntarem
digo que nem sei
deixo pra contar depois
que os caminhos ainda não apareceram.
e apenas fui.
não com as ondas ou com o vento,
deixei até o sereno cair.
furei o pneu da bicicleta
não escancarei a janela do quarto
nem esvaziei por inteiro o mar.
andei devagar e lento
como quem foge em segredo
não larguei a sapatilha para trás.
se me perguntarem
digo que nem sei
deixo pra contar depois
que os caminhos ainda não apareceram.
quinta-feira, março 20, 2014
o dia vem
esquece da noite
porque o amor
o abraço e a vida
não combinam com a escuridão.
me disse no quarto sonâmbulo
as dores insossas
e inventadas de outrora.
fingiu, sem ser poeta,
uma lágrima fugidia.
não deu certo.
e como daria?
se a poesia é água-viva
dá choque, queima, arranha.
assassina.
cravou não a pequena morte,
mas um grande abismo
sem toque e sem rima
fugiu sem ser fugitivo
dos versos sendo criados
mas jamais escritos.
esquece da noite
porque o amor
o abraço e a vida
não combinam com a escuridão.
me disse no quarto sonâmbulo
as dores insossas
e inventadas de outrora.
fingiu, sem ser poeta,
uma lágrima fugidia.
não deu certo.
e como daria?
se a poesia é água-viva
dá choque, queima, arranha.
assassina.
cravou não a pequena morte,
mas um grande abismo
sem toque e sem rima
fugiu sem ser fugitivo
dos versos sendo criados
mas jamais escritos.
para Lygia
hoje o amor foi embora,
porque amanhã é dia de luta
pela dor, pelo sorriso, pelo bom dia esquecido.
hoje ele carregou meu óculos de sol,
e já não enxergo teus pés chegando de leve no quarto
nem a borboleta pousando na fotografia.
deixou nem carta ou aviso
nem entrada de cinema pra distrair o coração.
foi embora, assim, com as preces
e meus segredos de menina selados.
mas beijou o espelho de vermelho
e gravou as digitais pelo armário.
sinto cheiro da terra remexida
do jardim ainda cheio do ano passado.
pegou o primeiro trem
e jogou um lenço pela janela
lencinho branco, de dar adeus.
soprei pra longe,
por aí pelos trilhos desordenados
porque amanhã é dia de luta
pela dor, pelo sorriso, pelo bom dia esquecido.
hoje ele carregou meu óculos de sol,
e já não enxergo teus pés chegando de leve no quarto
nem a borboleta pousando na fotografia.
deixou nem carta ou aviso
nem entrada de cinema pra distrair o coração.
foi embora, assim, com as preces
e meus segredos de menina selados.
mas beijou o espelho de vermelho
e gravou as digitais pelo armário.
sinto cheiro da terra remexida
do jardim ainda cheio do ano passado.
pegou o primeiro trem
e jogou um lenço pela janela
lencinho branco, de dar adeus.
soprei pra longe,
por aí pelos trilhos desordenados
domingo, março 16, 2014
por todos los cambios
por todos los cantos
hay el cambio de tu memoria
flor que se desarrolla en mí cuerpo
jardín solo de muchas idas y vueltas.
danza silenciosa en nuestro patio trasero
la flauta sopla la estrella que ya se fue
dame la mano y suelta la vida
queda del tiempo fiestero.
cambia tu, cambio yo
que la rueda no para
ni para hablar ni para huir
en la ciranda que se despiertó.
por todos los cantos
hay el cambio de tu memoria
flor que se desarrolla en mí cuerpo
jardín solo de muchas idas y vueltas.
danza silenciosa en nuestro patio trasero
la flauta sopla la estrella que ya se fue
dame la mano y suelta la vida
queda del tiempo fiestero.
cambia tu, cambio yo
que la rueda no para
ni para hablar ni para huir
en la ciranda que se despiertó.
ai, poesia
encanto da partida
lembrança do presente
canto sem demora.
pássaro de cor indecisa
pés de frida kahlo
e prato de toda a gente.
me diz pra onde é a viagem
bolívia, chile ou méxico
aonde vou pra te amar melhor.
te quero rebelde
amante e ladra
do meu esconderijo
pr'eu te fazer uma serenata.
vem cá,
me dá um abraço
ou um soco na cara
quero só o toque furioso
do teu cheiro de jasmin.
encanto da partida
lembrança do presente
canto sem demora.
pássaro de cor indecisa
pés de frida kahlo
e prato de toda a gente.
me diz pra onde é a viagem
bolívia, chile ou méxico
aonde vou pra te amar melhor.
te quero rebelde
amante e ladra
do meu esconderijo
pr'eu te fazer uma serenata.
vem cá,
me dá um abraço
ou um soco na cara
quero só o toque furioso
do teu cheiro de jasmin.
homenagem a Ali Moustafa.
morreu na revolução
nos caminhões de sangue e abraço
levantou tantas vezes de braço dado
com o camarada irmão.
esqueceu as fotografias na parede
a catarse e o dinheiro no fim do mês
pegou a calibre 21
e foi com o povo matar a sede.
sede de liberdade
de abrir a janela e beijar o mundo
de amar sem medo de ser preso
que a vida não fique só na vontade.
lutador de cada passado e presente
morreu companheiro
que carrega nas mão o futuro
o meu, o teu e de toda a gente.
morreu na revolução
nos caminhões de sangue e abraço
levantou tantas vezes de braço dado
com o camarada irmão.
esqueceu as fotografias na parede
a catarse e o dinheiro no fim do mês
pegou a calibre 21
e foi com o povo matar a sede.
sede de liberdade
de abrir a janela e beijar o mundo
de amar sem medo de ser preso
que a vida não fique só na vontade.
lutador de cada passado e presente
morreu companheiro
que carrega nas mão o futuro
o meu, o teu e de toda a gente.
terça-feira, março 11, 2014
se tivesse nascido rica,
não teria tomado açaí no verão
nem andado feliz de bicicleta
pelas ruas de marechal.
também não teria o sorriso do sol nascente
e as mãos dadas do povo no fim do dia
- nós de marinheiro na embarcação da vida.
cerveja no bar do seu zé,
histórias de mil facetas no calor do trem,
até o trabalho e a igreja cansada no domingo de manhã.
ainda bem que nasci filha de latão,
que ouro é bonito e deixa cego,
mas de nada importa
quando se liberta o pássaro da mão.
não teria tomado açaí no verão
nem andado feliz de bicicleta
pelas ruas de marechal.
também não teria o sorriso do sol nascente
e as mãos dadas do povo no fim do dia
- nós de marinheiro na embarcação da vida.
cerveja no bar do seu zé,
histórias de mil facetas no calor do trem,
até o trabalho e a igreja cansada no domingo de manhã.
ainda bem que nasci filha de latão,
que ouro é bonito e deixa cego,
mas de nada importa
quando se liberta o pássaro da mão.
ao nascer choramos iguais
mas com o tempo
choramos mais
- muito mais.
pelos medos, receios,
tapa e empurrão
mulher já nasce guerreira
puta, trans e sapatão.
da vida as dores
das dores o grito
às vezes calmo
outras lágrima e barraco
mas nunca calado
esse grito,
meio liberdade
meio vida e esperança
nos arranca pra rua
pois nosso lugar
só pode ser na luta.
mas com o tempo
choramos mais
- muito mais.
pelos medos, receios,
tapa e empurrão
mulher já nasce guerreira
puta, trans e sapatão.
da vida as dores
das dores o grito
às vezes calmo
outras lágrima e barraco
mas nunca calado
esse grito,
meio liberdade
meio vida e esperança
nos arranca pra rua
pois nosso lugar
só pode ser na luta.
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