quero morrer de amor
mas que não pare o coração!
que não faça órfãos os sentidos,
nem a indiferença me tome irmã.
um rasgo na pele
é a memória perdida
é o esquecer do teu sorriso
me dando bom dia.
o anel que tu me deste não era de vidro,
mas de poesia.
às vezes voa pra longe
e esquece o caminho da partida.
quarta-feira, dezembro 11, 2013
sábado, novembro 30, 2013
se eu morrer amanhã,
não jogue flores no túmulo
nem beije minhas fotografias.
não apresse o choro
a desaguar no mar
nem inunde minha casa com abraços partidos.
não venha arrancar as lembranças sonolentas
da terra fértil e inocente.
não amanheça querendo ser nuvem teimosa
ou chuva de verão.
se eu morrer amanhã,
apenas viva mais um dia por mim.
não jogue flores no túmulo
nem beije minhas fotografias.
não apresse o choro
a desaguar no mar
nem inunde minha casa com abraços partidos.
não venha arrancar as lembranças sonolentas
da terra fértil e inocente.
não amanheça querendo ser nuvem teimosa
ou chuva de verão.
se eu morrer amanhã,
apenas viva mais um dia por mim.
sexta-feira, novembro 22, 2013
já não sou mais tão nova quanto antes,
mas ainda não tenho 25 anos de sonho e de sangue e de américa do sul.
estou na idade do desencontro
de andar de olhos fechados na corda bamba.
se cair, ainda voo?
se voar, ainda sonho?
em cada manhã, uma porta.
caminhos de pedras e poemas,
sem ritmo, sem setas
sem reta final.
(por hoje só)
mas ainda não tenho 25 anos de sonho e de sangue e de américa do sul.
estou na idade do desencontro
de andar de olhos fechados na corda bamba.
se cair, ainda voo?
se voar, ainda sonho?
em cada manhã, uma porta.
caminhos de pedras e poemas,
sem ritmo, sem setas
sem reta final.
(por hoje só)
domingo, novembro 17, 2013
terça-feira, outubro 22, 2013
foi ontem que quebramos o vidro daquela casa. só que não sabíamos que ao deixar as pedras caírem no chão o que caíam eram nossos sonhos. pesados, escondidos e com o gostinho de travessura, mas ainda assim não imunes à gravidade do tempo.
você foi embora e levou as assombrações daquelas salas, os olhos atentos às árvores sombrias do quintal e seus penduricalhos que nos lembravam bruxarias.
também foi outro dia que sentei no sofá e chorei. escrevi minha primeira carta inventada. eram palavras para minha juventude adormecida, escondida entre as palavras corridas e longínquas. era uma vontade de amar alguém que dorme, alguém em coma, que pudesse descansar em paz enquanto eu lhe dava amor e poesia.
hoje escancarei os olhos pelo ônibus. as casas e árvores correndo do lado de fora. minha vida ficando para trás, mudando a cada sinal vermelho, transfigurando as pedras e cartas já partidas. se pudesse escolher um momento, não pediria por ontem ou pelo outro dia, mas um segundo de silêncio nesse mundo.
você foi embora e levou as assombrações daquelas salas, os olhos atentos às árvores sombrias do quintal e seus penduricalhos que nos lembravam bruxarias.
também foi outro dia que sentei no sofá e chorei. escrevi minha primeira carta inventada. eram palavras para minha juventude adormecida, escondida entre as palavras corridas e longínquas. era uma vontade de amar alguém que dorme, alguém em coma, que pudesse descansar em paz enquanto eu lhe dava amor e poesia.
hoje escancarei os olhos pelo ônibus. as casas e árvores correndo do lado de fora. minha vida ficando para trás, mudando a cada sinal vermelho, transfigurando as pedras e cartas já partidas. se pudesse escolher um momento, não pediria por ontem ou pelo outro dia, mas um segundo de silêncio nesse mundo.
domingo, outubro 13, 2013
encaro o mundo de olhos fechados. assim, sinto o vento nos cabelos e o céu misturado com meus gestos. é necessário respirar o silêncio, abraçar as cores criadas pelas mãos quietas. não vejo a luz das estrelas, mas sei do peso dos anos que voam sobre nós. nada escuto do tempo, mas a dor do presente paira meio em festa meio em túmulo em nossas casas.
mundo!
grita tuas curvas sobre mim! me enlaça nessas águas de enigmas e segredos. abre as asas nas ondas de incerteza, de caminhos cruzados e tortos. me faz sonhar com canções antigas e ternas.
não deixe explodir os vulcões, desesperos de sentimentos inundados.
que apenas as lavas da liberdade me alcancem.
mundo!
grita tuas curvas sobre mim! me enlaça nessas águas de enigmas e segredos. abre as asas nas ondas de incerteza, de caminhos cruzados e tortos. me faz sonhar com canções antigas e ternas.
não deixe explodir os vulcões, desesperos de sentimentos inundados.
que apenas as lavas da liberdade me alcancem.
o operário boceja as horas de trabalho
mas o galo não canta com os outros galos
ele vai amassado com muitos homens no ônibus.
nunca leu fernando pessoa nem olavo bilac
o que sabe são as notícias tristes e monótonas
estampadas cheirando à fumaça
das fábricas e dos cigarros.
nunca foi homem de escrever ou de cantar
não sabia o que era tom nem coda
de rima só simples, nunca rica.
não havia tempo para mudar
no emaranhado de nada e nunca mais
só o que soube é que talvez pudesse se libertar
quando um panfleto recebeu
de um desses comunistas que dizia
que queremos direito ao pão, mas também à poesia.
mas o galo não canta com os outros galos
ele vai amassado com muitos homens no ônibus.
nunca leu fernando pessoa nem olavo bilac
o que sabe são as notícias tristes e monótonas
estampadas cheirando à fumaça
das fábricas e dos cigarros.
nunca foi homem de escrever ou de cantar
não sabia o que era tom nem coda
de rima só simples, nunca rica.
não havia tempo para mudar
no emaranhado de nada e nunca mais
só o que soube é que talvez pudesse se libertar
quando um panfleto recebeu
de um desses comunistas que dizia
que queremos direito ao pão, mas também à poesia.
domingo, agosto 25, 2013
ai que bonitos seriam os campos
se a terra fosse de todos
e os frutos fossem livres.
o amanhecer não seria uníssono
mas uma ópera nascente
como o orvalho que
ao cair do céu
escreve na folha
e deságua no mar.
é preciso cantar a liberdade
essa filha nossa
de gritos de sangue e de guerra
que aguarda apenas
o dia de nos dar à luz.
se a terra fosse de todos
e os frutos fossem livres.
o amanhecer não seria uníssono
mas uma ópera nascente
como o orvalho que
ao cair do céu
escreve na folha
e deságua no mar.
é preciso cantar a liberdade
essa filha nossa
de gritos de sangue e de guerra
que aguarda apenas
o dia de nos dar à luz.
minhas mãos tão pequenas
parecem não suportar o peso do mundo
nem a tristeza desses olhos cansados
do dia perseguindo o sono.
será que da vida nasce o amanhã?
e as estrelas são sorrisos de nossa história?
quieta, alcanço com os dedos a revolução.
o céu é cúmplice da miséria,
mas também da liberdade.
abro a mão e sopro as estrelas guardadas.
parecem não suportar o peso do mundo
nem a tristeza desses olhos cansados
do dia perseguindo o sono.
será que da vida nasce o amanhã?
e as estrelas são sorrisos de nossa história?
quieta, alcanço com os dedos a revolução.
o céu é cúmplice da miséria,
mas também da liberdade.
abro a mão e sopro as estrelas guardadas.
domingo, julho 07, 2013
sem título
tempo,
motor dos pés, do meu choro e do
vento
que, leve, surrupia dos lábios
os segredos e as novas histórias
antigos presentes que não freiam.
vida,
arrastada, traiçoeira, não há
saída
aqui e do outro lado do mundo
o que foge, o que fica, mesmo que anseie
não é um pedido, mas uma intimação.
motor dos pés, do meu choro e do
vento
que, leve, surrupia dos lábios
os segredos e as novas histórias
antigos presentes que não freiam.
vida,
arrastada, traiçoeira, não há
saída
aqui e do outro lado do mundo
o que foge, o que fica, mesmo que anseie
não é um pedido, mas uma intimação.
solidão
solidão é o que nos resta quando os dedos se perdem na longa distância do adeus. é aquela fome tardia e sem pressa posta em cima da mesa numa tarde de domingo, são as horas marcadas por um relógio quebrado (e mesmo assim teimamos em querer acreditar nesse tempo).
às vezes (e hoje percebo que são incontáveis), ela se manifesta nesse mergulho longo e sem ar entre nós dois. os olhos se arrancam dos corpos e vão passear, saboreando a paisagem e bocejando o cansaço dos dias.
às vezes (e hoje percebo que são incontáveis), ela se manifesta nesse mergulho longo e sem ar entre nós dois. os olhos se arrancam dos corpos e vão passear, saboreando a paisagem e bocejando o cansaço dos dias.
domingo, março 31, 2013
o corpo teu amanheceu
sem mapas e cheio de contornos.
era um navio perdido ondulando saudades.
dei adeus ao subir na proa
olhares e distâncias deixei para trás
enquanto na terra
teus pés construíam um mundo novo.
o céu me derrama:
quer dividir para me tomar.
mas rasgar eficaz seria
pois esse poema é todo dono de mim.
sem mapas e cheio de contornos.
era um navio perdido ondulando saudades.
dei adeus ao subir na proa
olhares e distâncias deixei para trás
enquanto na terra
teus pés construíam um mundo novo.
o céu me derrama:
quer dividir para me tomar.
mas rasgar eficaz seria
pois esse poema é todo dono de mim.
segunda-feira, março 11, 2013
faz tanto tempo que não me deito assim no chão e deixo o vento me tocar, bem de leve, com suas plumagens e segredos. cada passo é uma nova pergunta, mas sem pressa para as respostas. agora eu consigo entender alguns ritmos, algumas letras. é que meu corpo respira fundo.
cartola dizia que o mundo é um moinho, mas eu penso que o mundo está mais para o que ele é: um grande mar azul, cheio de ilhas e vontades de acordar ao seu lado com os raios de sol. tudo está tão bonito que eu até estranho. mas a vida então é isso: um surpreendente sorriso depois de uma enchente devastadora.
cartola dizia que o mundo é um moinho, mas eu penso que o mundo está mais para o que ele é: um grande mar azul, cheio de ilhas e vontades de acordar ao seu lado com os raios de sol. tudo está tão bonito que eu até estranho. mas a vida então é isso: um surpreendente sorriso depois de uma enchente devastadora.
domingo, março 10, 2013
olha, durante muito tempo acreditei em coisas que não faziam o menor sentido. coisas da vida, de saudade, de amor, de como será, de como foi, de como vou resistir... e hoje, aqui deitada na rede, olhando para o céu, deixando o tempo refletir suas dores em meu corpo recém-nascido, percebo o quanto preciso varrer as cinzas que deixei espalhadas por aí.
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