nasci para a lua
para os rebentos do mar
perdida nas esquinas da vida
sou filha de iemanjá.
nas mãos o cheiro do sopro
fumaça que sobe ao céu
alcança as estrelas distraídas
canto de amor escondido num véu
corpo girando na praia
lâminas ditas na areia
acordo as ondas com os versos
esses que correm nas veias.
quarta-feira, janeiro 22, 2014
terça-feira, janeiro 14, 2014
você nunca me deu uma flor. estando num barquinho em veneza ou num ônibus na suburbana. sequer o cheiro das pétalas passou longe, essência de carinhos, saudades e paixões suaves.
por que, sendo tão humana, não tenho direito a segurar algo que se esvai como um sopro, mas que é belo, é belo, é belo. é o amor em formato de vida, é a vida em sua esfera mais animal e feliz.
não quero a delicadeza de uma margarida ou os espinhos de uma rosa. tampouco o sol que gira do girassol amarelo. quero sentir seu cheiro, o sorriso de flor se abrindo para o mundo e pedindo para ser tocada e salva do asfalto, que é a maior solidão que podemos ter.
quero uma flor pra guardar o tempo que cai em seus braços como o orvalho chega toda manhã. quero soprar seu pólen em minhas poesias frágeis e famintas.
você nunca me deu uma flor, porque a madrugada serena sempre volta, porque meus olhos brilham demais e meu corpo parece feito de galhos, folhas e pétalas.
por que, sendo tão humana, não tenho direito a segurar algo que se esvai como um sopro, mas que é belo, é belo, é belo. é o amor em formato de vida, é a vida em sua esfera mais animal e feliz.
não quero a delicadeza de uma margarida ou os espinhos de uma rosa. tampouco o sol que gira do girassol amarelo. quero sentir seu cheiro, o sorriso de flor se abrindo para o mundo e pedindo para ser tocada e salva do asfalto, que é a maior solidão que podemos ter.
quero uma flor pra guardar o tempo que cai em seus braços como o orvalho chega toda manhã. quero soprar seu pólen em minhas poesias frágeis e famintas.
você nunca me deu uma flor, porque a madrugada serena sempre volta, porque meus olhos brilham demais e meu corpo parece feito de galhos, folhas e pétalas.
tristeza canta o choro da aurora
das reticências entre mim e o adeus
das dores em trânsito,
viajantes do mundo.
versos multifacetários
invasores dos sopros de meu pensamento
escrevem sentidos em linhas tortas
e em linhas tortas uma reta sem fim.
retira, tu, essas rimas
de quem não sabe esperar
e foge, impaciente,
pra onde não haja canto
nem aurora
nem caminhos indecifráveis.
das reticências entre mim e o adeus
das dores em trânsito,
viajantes do mundo.
versos multifacetários
invasores dos sopros de meu pensamento
escrevem sentidos em linhas tortas
e em linhas tortas uma reta sem fim.
retira, tu, essas rimas
de quem não sabe esperar
e foge, impaciente,
pra onde não haja canto
nem aurora
nem caminhos indecifráveis.
segunda-feira, janeiro 06, 2014
samba do desencontro
grita, tambor,
o dia de ti ausente
passos na saudade pisam
no compasso sem batida.
com essa voz de cuíca
beija a poesia e os cantos distantes.
onde samba você?
danço na praia
acordo nos mirantes
e por aí escuto teu cheiro.
o dia de ti ausente
passos na saudade pisam
no compasso sem batida.
com essa voz de cuíca
beija a poesia e os cantos distantes.
onde samba você?
danço na praia
acordo nos mirantes
e por aí escuto teu cheiro.
por que o vento apaga o fogo
quando se esconde
a chama pelas cavernas e celeiros
nas noites frias
de carnaval a janeiro?
carregados de palavras não ditas
queima o mundo em segredos
rios secos e sem rumo
pelos fósforos nunca acesos.
abre tuas flamas, corcel sem dono
traz o vento nas asas
pula as luas sem ferir cicatriz
porque o que se é só se transforma
quando se grita o que nunca se diz.
quando se esconde
a chama pelas cavernas e celeiros
nas noites frias
de carnaval a janeiro?
carregados de palavras não ditas
queima o mundo em segredos
rios secos e sem rumo
pelos fósforos nunca acesos.
abre tuas flamas, corcel sem dono
traz o vento nas asas
pula as luas sem ferir cicatriz
porque o que se é só se transforma
quando se grita o que nunca se diz.
domingo, dezembro 29, 2013
deixa eu te contar um segredo.
acordaram hoje as horas soprando o tempo contra mim, dizendo baixinho nos meus ouvidos que não há barco no mar nem bicicleta na avenida.
pediram pr'eu deixar o café da manhã pra depois e correr contra o vento, empurrá-lo para outra direção em que só nós dois conhecemos.
os abraços não foram embora, apenas descansam em jejum um calor que perpassa o corpo inteiro. corpo que cala, mas que quer cantar um bolero desses espanhóis em que a dança se torna meio beijo e sorrisos.
dança comigo? abre a porta de casa e deixa a janela ser quadro do mundo. passos em falso, corpos girando, pula para o jardim cheio de flores, verdes, azuis e violetas. dança um encontro cheio de desencontros, mas livre para abraçar o agora, o sempre e talvez depois um nunca mais.
não é tão segredo assim, porque meus olhos escancaram o peso da alma, mas a dança, o jardim e o abraço se escondem dentro de mim, e agora te dou tudo com essas palavras que sem controle transbordam pelas brechas de qualquer cadeado.
acordaram hoje as horas soprando o tempo contra mim, dizendo baixinho nos meus ouvidos que não há barco no mar nem bicicleta na avenida.
pediram pr'eu deixar o café da manhã pra depois e correr contra o vento, empurrá-lo para outra direção em que só nós dois conhecemos.
os abraços não foram embora, apenas descansam em jejum um calor que perpassa o corpo inteiro. corpo que cala, mas que quer cantar um bolero desses espanhóis em que a dança se torna meio beijo e sorrisos.
dança comigo? abre a porta de casa e deixa a janela ser quadro do mundo. passos em falso, corpos girando, pula para o jardim cheio de flores, verdes, azuis e violetas. dança um encontro cheio de desencontros, mas livre para abraçar o agora, o sempre e talvez depois um nunca mais.
não é tão segredo assim, porque meus olhos escancaram o peso da alma, mas a dança, o jardim e o abraço se escondem dentro de mim, e agora te dou tudo com essas palavras que sem controle transbordam pelas brechas de qualquer cadeado.
sexta-feira, dezembro 27, 2013
mania de não escutar nada,
de andar com os pés sem rumo,
cabelos perdidos no mundo,
de jogar o corpo inteiro
guardando segredo por todos os lados.
mania de chorar escondida,
de escutar zeca baleiro e
paulinho da viola,
de cantar a desilusão várias vezes
por ter acreditado em qualquer coisa
que bateu forte quando quebrou.
mania de ir embora depois
mas de sempre acharem que fui antes
de não abraçar forte quando quer
de tentar dormir sem conseguir
e de agora querer um momento a mais com você.
de andar com os pés sem rumo,
cabelos perdidos no mundo,
de jogar o corpo inteiro
guardando segredo por todos os lados.
mania de chorar escondida,
de escutar zeca baleiro e
paulinho da viola,
de cantar a desilusão várias vezes
por ter acreditado em qualquer coisa
que bateu forte quando quebrou.
mania de ir embora depois
mas de sempre acharem que fui antes
de não abraçar forte quando quer
de tentar dormir sem conseguir
e de agora querer um momento a mais com você.
quinta-feira, dezembro 26, 2013
poema para minha vó
deixo para o esquecimento
teus cabelos brancos
a falta de ar
o medo da morte.
ainda não fui te visitar,
pois guardo o choro contido em mim
das idas da escola até em casa, passeios
rápidos com a bengala e boina de meu avô.
tuas sílabas soltas de abraços soluçantes
gritos intactos das lembranças de outrora
pássaros que cantam a memória de todos nós.
te dou fotos, desenhos e beijos
que tanto alimento no baú do quarto da penha
balanços vazios, corredores sem crianças
a cozinha não tem mais pastéis nem bolos.
é natal, e o hospital está cheio
os olhos pedindo casa
a vida pedindo fica.
guardo o adeus nesses versos
tentativa de ser anos atrás.
teus cabelos brancos
a falta de ar
o medo da morte.
ainda não fui te visitar,
pois guardo o choro contido em mim
das idas da escola até em casa, passeios
rápidos com a bengala e boina de meu avô.
tuas sílabas soltas de abraços soluçantes
gritos intactos das lembranças de outrora
pássaros que cantam a memória de todos nós.
te dou fotos, desenhos e beijos
que tanto alimento no baú do quarto da penha
balanços vazios, corredores sem crianças
a cozinha não tem mais pastéis nem bolos.
é natal, e o hospital está cheio
os olhos pedindo casa
a vida pedindo fica.
guardo o adeus nesses versos
tentativa de ser anos atrás.
deitei os olhos no céu
e desenhei com o sentir teu sorriso
cor de nuvem
e meio tempestade.
o sol pede um abraço
e canta uma lembrança da lua para mim.
tenho medo de incendiar o corpo
e não achar o caminho de volta pro mar.
se eu pairasse o pensamento no vento
ele o levaria para onde você está?
o céu é muito grande
o sol muito explosivo
a lua chama meus delírios
mas o vento
o vento vai para qualquer lugar.
(basta um sopro)
e desenhei com o sentir teu sorriso
cor de nuvem
e meio tempestade.
o sol pede um abraço
e canta uma lembrança da lua para mim.
tenho medo de incendiar o corpo
e não achar o caminho de volta pro mar.
se eu pairasse o pensamento no vento
ele o levaria para onde você está?
o céu é muito grande
o sol muito explosivo
a lua chama meus delírios
mas o vento
o vento vai para qualquer lugar.
(basta um sopro)
quinta-feira, dezembro 19, 2013
lágrima
não chorei rios
nem um oceano.
tampouco alaguei lembranças
ao som de festas e corais.
caiu uma lágrima
tulipa solitária
pedaço fugidio de mim.
era ela
o abraço nunca dado
os segredos esquecidos
a dor do parto de se nascer felicidade e angústia.
nem um oceano.
tampouco alaguei lembranças
ao som de festas e corais.
caiu uma lágrima
tulipa solitária
pedaço fugidio de mim.
era ela
o abraço nunca dado
os segredos esquecidos
a dor do parto de se nascer felicidade e angústia.
Molhei os olhos no mar
e sequei os pés nos finos grãos
sem querer deixei para trás o teu abraço
sem querer te deixei escorrer
entre as minhas mãos.
Acordei sem vestígio
do alto eu um tiro
no céu que pendura as lembranças
é o mesmo céu de onde me atiro.
Amanheço as estrelas em segredo
levanto o corpo tolo em enredo
junto o canto a navegar tua pele
deixo o corpo todo a nau que tu navegue.
com Felipe Andrade
e sequei os pés nos finos grãos
sem querer deixei para trás o teu abraço
sem querer te deixei escorrer
entre as minhas mãos.
Acordei sem vestígio
do alto eu um tiro
no céu que pendura as lembranças
é o mesmo céu de onde me atiro.
Amanheço as estrelas em segredo
levanto o corpo tolo em enredo
junto o canto a navegar tua pele
deixo o corpo todo a nau que tu navegue.
com Felipe Andrade
mataram minha mulher.
não sei até hoje o que senti, em 1982.
só abri os olhos quando me lembraram que era verdade.
um tiro no banco, mas também no coração.
foi-se embora a mágoa, a felicidade e o meu filho em seu ventre.
se fazia frio, se havia pessoas sorrindo na rua e o natal chegava,
eu não sei.
lembro apenas do mundo embaçado, da minha pele cor de arrepio,
do prédio de 19 andares de onde não me deixaram que me jogasse.
bruta flor, diamante não lapidado, sonho de uma noite de verão.
é a vida esse fragmento rabiscado?
não sei até hoje o que senti, em 1982.
só abri os olhos quando me lembraram que era verdade.
um tiro no banco, mas também no coração.
foi-se embora a mágoa, a felicidade e o meu filho em seu ventre.
se fazia frio, se havia pessoas sorrindo na rua e o natal chegava,
eu não sei.
lembro apenas do mundo embaçado, da minha pele cor de arrepio,
do prédio de 19 andares de onde não me deixaram que me jogasse.
bruta flor, diamante não lapidado, sonho de uma noite de verão.
é a vida esse fragmento rabiscado?
quarta-feira, dezembro 11, 2013
desamparo
deitei as mãos no umbral
como quem escreve as dores no papel
parte presa, parte pássaro
pedi pro céu carregar meu olhar.
a angústia escondida na casa que sou
a vida escapando janela a fora
deixei a poeira escolher seu lugar.
o que resta são os móveis
gavetas cheias de acasos e segredos.
e o jardim
que finge abrir flores de eternidade.
como quem escreve as dores no papel
parte presa, parte pássaro
pedi pro céu carregar meu olhar.
a angústia escondida na casa que sou
a vida escapando janela a fora
deixei a poeira escolher seu lugar.
o que resta são os móveis
gavetas cheias de acasos e segredos.
e o jardim
que finge abrir flores de eternidade.
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