homenagem a Ali Moustafa.
morreu na revolução
nos caminhões de sangue e abraço
levantou tantas vezes de braço dado
com o camarada irmão.
esqueceu as fotografias na parede
a catarse e o dinheiro no fim do mês
pegou a calibre 21
e foi com o povo matar a sede.
sede de liberdade
de abrir a janela e beijar o mundo
de amar sem medo de ser preso
que a vida não fique só na vontade.
lutador de cada passado e presente
morreu companheiro
que carrega nas mão o futuro
o meu, o teu e de toda a gente.
domingo, março 16, 2014
terça-feira, março 11, 2014
se tivesse nascido rica,
não teria tomado açaí no verão
nem andado feliz de bicicleta
pelas ruas de marechal.
também não teria o sorriso do sol nascente
e as mãos dadas do povo no fim do dia
- nós de marinheiro na embarcação da vida.
cerveja no bar do seu zé,
histórias de mil facetas no calor do trem,
até o trabalho e a igreja cansada no domingo de manhã.
ainda bem que nasci filha de latão,
que ouro é bonito e deixa cego,
mas de nada importa
quando se liberta o pássaro da mão.
não teria tomado açaí no verão
nem andado feliz de bicicleta
pelas ruas de marechal.
também não teria o sorriso do sol nascente
e as mãos dadas do povo no fim do dia
- nós de marinheiro na embarcação da vida.
cerveja no bar do seu zé,
histórias de mil facetas no calor do trem,
até o trabalho e a igreja cansada no domingo de manhã.
ainda bem que nasci filha de latão,
que ouro é bonito e deixa cego,
mas de nada importa
quando se liberta o pássaro da mão.
ao nascer choramos iguais
mas com o tempo
choramos mais
- muito mais.
pelos medos, receios,
tapa e empurrão
mulher já nasce guerreira
puta, trans e sapatão.
da vida as dores
das dores o grito
às vezes calmo
outras lágrima e barraco
mas nunca calado
esse grito,
meio liberdade
meio vida e esperança
nos arranca pra rua
pois nosso lugar
só pode ser na luta.
mas com o tempo
choramos mais
- muito mais.
pelos medos, receios,
tapa e empurrão
mulher já nasce guerreira
puta, trans e sapatão.
da vida as dores
das dores o grito
às vezes calmo
outras lágrima e barraco
mas nunca calado
esse grito,
meio liberdade
meio vida e esperança
nos arranca pra rua
pois nosso lugar
só pode ser na luta.
sexta-feira, março 07, 2014
te espero
ainda com o silêncio da madrugada
com o relógio desnorteado
e a bússola sem ponteiros.
te espero na avenida
os carros sem rumo,
viagem solitária e perdida
a partida que foi pra longe.
te espero andando
de bicicleta, de metrô e de trem
dando beijos nas paisagens
e abraços na vida que vou largando.
tu, que me guarda naquele dia,
jogou a minha espera no abismo.
ainda com o silêncio da madrugada
com o relógio desnorteado
e a bússola sem ponteiros.
te espero na avenida
os carros sem rumo,
viagem solitária e perdida
a partida que foi pra longe.
te espero andando
de bicicleta, de metrô e de trem
dando beijos nas paisagens
e abraços na vida que vou largando.
tu, que me guarda naquele dia,
jogou a minha espera no abismo.
sábado, março 01, 2014
sobre as lágrimas contidas
a vida tem dessas de ludibriar, de fazer labirinto, de esconder o rosto e não dar a cara a tapa, de jogar no deserto as mentiras.
sem querer de repente o vidro se faz limpo e a rosa aflora, mesmo que a vontade seja a de correr, apesar dos saltos em pedras e montanhas, deixar cair o sentimento por uma cachoeira abaixo que ainda não foi inventada.
mas eu escrevo, eu desenho, eu tatuo na pele água violenta que grita liberdade, que quer ser mundo, e que daria todas suas gotas e sal pra não estar aqui agora.
porque o suicídio em serpentinas nasceu, mas o carnaval ficou mudo. os confetes caídos não foram recolhidos e nem a máscara que te toquei sorriu. não soltou das mãos a flauta, o balanço nem a arma que me calava.
presa na madrugada, preferi deixar o sono te embalar a acordar com o céu nublado dos teus olhos.
sem querer de repente o vidro se faz limpo e a rosa aflora, mesmo que a vontade seja a de correr, apesar dos saltos em pedras e montanhas, deixar cair o sentimento por uma cachoeira abaixo que ainda não foi inventada.
mas eu escrevo, eu desenho, eu tatuo na pele água violenta que grita liberdade, que quer ser mundo, e que daria todas suas gotas e sal pra não estar aqui agora.
porque o suicídio em serpentinas nasceu, mas o carnaval ficou mudo. os confetes caídos não foram recolhidos e nem a máscara que te toquei sorriu. não soltou das mãos a flauta, o balanço nem a arma que me calava.
presa na madrugada, preferi deixar o sono te embalar a acordar com o céu nublado dos teus olhos.
domingo, fevereiro 16, 2014
teu beijou desenhou uma tatuagem nas minhas palavras. deixaram de ser linhas tortas para serem desenhos, pinturas e paisagem desse mundo que toco e escondo pela janela.
pinto teu olhar calado, teu respirar receoso pelos tragos que dou, lembrança de te abraçar com calma e amanhecer não quando o sol nasce, mas quando te vejo sorrir.
pinto teu olhar calado, teu respirar receoso pelos tragos que dou, lembrança de te abraçar com calma e amanhecer não quando o sol nasce, mas quando te vejo sorrir.
na rua, uma lembrança volante
pedalando pela ciclovia
apostando corrida com o esquecimento.
tanta coisa caiu da bicileta
deixou rastro no caminho
pegadas de lugares e segundos fugitivos.
na vida só não se transforma
o que se muda todo dia
é possível o amor ir embora assim
tão vivo,
tão rebelde,
tão recém-nascido?
pedalando pela ciclovia
apostando corrida com o esquecimento.
tanta coisa caiu da bicileta
deixou rastro no caminho
pegadas de lugares e segundos fugitivos.
na vida só não se transforma
o que se muda todo dia
é possível o amor ir embora assim
tão vivo,
tão rebelde,
tão recém-nascido?
terça-feira, fevereiro 04, 2014
quarta-feira, janeiro 22, 2014
- estou enlouquecendo, carlos. e não há hospício forte o suficiente para aguentar a minha loucura, a minha queda que é a própria gravidade.
o homem piscou os olhos, como quem tenta tirar poeira dos cantinhos da vista. talvez uma tentativa de entender o que essa mulher sentia. era dor, era tristeza, era tédio? não sabia, talvez nunca viesse a saber.
mas é na desconfiança que se criam os laços. não na desconfiança dolorosa cheia de rancor, mas na falta de confiança numa certeza.
e agora? onde colocaria sua cabeça encostada? não há ombro que suporte esse peso nem cama que não pegue fogo com o calor dos pensamentos. talvez a jogue num parque com um gramado tão extenso que lembre as ondas do mar.
- são as cores de uma aquarela atiradas na parede de um quarto sem portas ou janela. é a embriaguez sem licor nem vinho, talvez de um café que se esvai com sua fumaça quente pelo mundo. sou o apito do silêncio nesses dias vazios e sem dó.
foi até o umbral respirar o vento, esse desses dias de verão que lembram a infância. talvez dar-lhe as mãos a console, é um gesto de presença forte, de desenho marcado para o momento da solidão. mas como se não lhe resta mais força para agarrar forte em qualquer coisa que emane o agora, o instante e a própria tentativa de escapar de dentro de si?
é o perigo da entrega. não resta força, mas sobra tudo que grita. são as curvas e contorno de frida kahlo, aparentes elevações de todos os sinais do mundo.
- sabe quem eu queria que estivesse aqui? não, eu também não sei. é possível alguém que me olhe e me escreva? também na arte fugimos. não por covardia, mas por libertação. peço apenas algumas linhas tortas, alguém que se faça de deus e que escute minhas orações. e que nesse momento guie meus passos.
não é fé de que precisa. é de sentir-se parte de cada palavra, da imagem que é a criação. é procurar no absurdo algo que seja aceito dentro do que entendemos. afinal, não a tiraria dali. não adiantaria levá-la para um passeio ou para jantar.
cansado, desolado e sem saída, começou a pintar seus contornos.
o homem piscou os olhos, como quem tenta tirar poeira dos cantinhos da vista. talvez uma tentativa de entender o que essa mulher sentia. era dor, era tristeza, era tédio? não sabia, talvez nunca viesse a saber.
mas é na desconfiança que se criam os laços. não na desconfiança dolorosa cheia de rancor, mas na falta de confiança numa certeza.
e agora? onde colocaria sua cabeça encostada? não há ombro que suporte esse peso nem cama que não pegue fogo com o calor dos pensamentos. talvez a jogue num parque com um gramado tão extenso que lembre as ondas do mar.
- são as cores de uma aquarela atiradas na parede de um quarto sem portas ou janela. é a embriaguez sem licor nem vinho, talvez de um café que se esvai com sua fumaça quente pelo mundo. sou o apito do silêncio nesses dias vazios e sem dó.
foi até o umbral respirar o vento, esse desses dias de verão que lembram a infância. talvez dar-lhe as mãos a console, é um gesto de presença forte, de desenho marcado para o momento da solidão. mas como se não lhe resta mais força para agarrar forte em qualquer coisa que emane o agora, o instante e a própria tentativa de escapar de dentro de si?
é o perigo da entrega. não resta força, mas sobra tudo que grita. são as curvas e contorno de frida kahlo, aparentes elevações de todos os sinais do mundo.
- sabe quem eu queria que estivesse aqui? não, eu também não sei. é possível alguém que me olhe e me escreva? também na arte fugimos. não por covardia, mas por libertação. peço apenas algumas linhas tortas, alguém que se faça de deus e que escute minhas orações. e que nesse momento guie meus passos.
não é fé de que precisa. é de sentir-se parte de cada palavra, da imagem que é a criação. é procurar no absurdo algo que seja aceito dentro do que entendemos. afinal, não a tiraria dali. não adiantaria levá-la para um passeio ou para jantar.
cansado, desolado e sem saída, começou a pintar seus contornos.
você me empurrou do quinto andar.
não o corpo
ou os sapatos
nem as flores que nunca existiram.
foram os gestos que te dei
embrulhados em fitas coloridas
e papéis regados de tempo e saudade.
o corpo livre dos abraços
não há marcas de unhas nas pinturas
nem o som do violão nas tardes de domingo.
não voei quando caí
talvez porque tivesse pernas
talvez porque tivesse mãos que fazem poesia.
mas não voei,
não voei.
e caí.
não o corpo
ou os sapatos
nem as flores que nunca existiram.
foram os gestos que te dei
embrulhados em fitas coloridas
e papéis regados de tempo e saudade.
o corpo livre dos abraços
não há marcas de unhas nas pinturas
nem o som do violão nas tardes de domingo.
não voei quando caí
talvez porque tivesse pernas
talvez porque tivesse mãos que fazem poesia.
mas não voei,
não voei.
e caí.
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