segunda-feira, julho 30, 2007

!

As pessoas caminham lentamente pela rua: querem chegar, sem rasgar, sem conhecer, apenas... devagar? Eu estava divagando sobre o mundo, sobre os prédios altos, sobre as àrvores que estão-se sufocando. Não sei aonde quero ir, mas, no meio de tanta pressa e não-face, eu consigo congelar a visão e encontrar-me com as estrelas longínquas.
É infantilidade, e até mesmo drama. Que seja, eu não ligo para o que pensam, eu apenas quero explodir, de alguma forma, esses sentimentos não-sentidos, essas coisas que me angustiam, e que eu nem ao menos sei explicar.

Pois bem: está frio, minha alma congela. Meus dedos conseguem transmitir as palavras, mas minha mente (vulgar coração) não consegue nem ao menos criar uma frase, de tão cheia de alucinações e fatores reais. Minhas unhas tentam alcançar minha carne e tirar-lhe sangue, talvez eu sentisse algo assim, com a dor feita e momentânea.
Eu não sei como passar para palavras, é tão incrivelmente difícil escrever! Escrever sobre isso e deixar solto, para que leiam, vejam e riam! Rir, certamente, pois talvez não entendam e, se entenderem, talvez queiram pisar, bater palmas para o vazio, e vaiarem com o veludo. Quem está realmente dentro de mim não é ninguém. As pessoas simplesmente acham que conseguem ver o que as outras sentem, o que elas querem, desejam e temem. Idiotas.

Às vezes eu não sei o que esperar, não sei do que temer. Morrer? Bem, eu não sei nem se existo, talvez morrer não faça tanta diferença. Viver? A ação para quem não está morto. Será que estou viva? Será que sou algo senão alguma migalha de pensamento surgido de alguém?
Quer saber? Eu não sei. E cansei disso. Eu estou com muita raiva, não, não de alguém, mas de mim. Eu não consegui colocar para fora até agora o que preciso, necessito e desejo de toda a alma colocar!

Não.

Feliz é você que não entende o que sinto.
Ou não, talvez você esteja pior do que eu em matéria de sentidos.

sábado, julho 21, 2007

?

Minhas mãos tremem, as lágrimas caem. O corpo não é mais corpo: é medo. Enrosco-me na coberta, tenho frio, um frio de alma, estranho frio. Encolho-me no sofá e choro. Choro muito.
Paro de escrever, coloco a mão na testa e choro novamente. Não consigo parar de chorar.

Eu quero morrer.

quarta-feira, julho 18, 2007

Um, dois, três...

Ela vasculha o passado,
Quase adormecida,
Os olhos fechados.

Passa os dedos pelas fitinhas de ouro
Que envolvem a passagem do tempo
E tenta abrir o baú empoeirado.

Seus pés grudaram-se no chão,
A um passo do futuro.
E meio passo do que já passou.

Compasso: presente.
Abriu-se a alma,
Fecharam-se os olhos.

Voltou a sonhar,
O mundo não pára,
O sono não descansa.

O tempo sempre a tocar
A harmonia do que se foi
Do que é e do que será.

quarta-feira, julho 11, 2007

Árvore, magnífica árvore!

Era uma tarde cinzenta, o tempo estava razoavelmente fresco, e as ruas com gotas de uma chuva que acabara de ir-se. O inverno finalmente desabrochara. Não havia muitas pessoas na rua de manhã e nem quando começou a entardecer. Somente um pouco mais à tardinha.
Mas vamos ao fato: havia um homem que vinha do trabalho para casa, todos os dias, pelo mesmo lugar. Andava com sua maleta, seu chapéu cinza (como nossa tarde!) e seus sapatos impecavelmente brilhantes. Mas, hoje, quando virou a esquina de uma viela principal, parou subitamente, como se estivesse encantando, em frente a uma árvore, que sempre estivera ali, há muito tempo.
Bem, ele ficou parado, olhando para a árvore, durante alguns minutos apenas, até um senhor de bengala, com cara de irritado, resolver parar e também olhar para a àrvore, com muito interesse. Mais duas mulheres também resolveram observar tal mágica coisa que separa pessoas de seus dias tão corridos. E assim foram-se juntando pessoas e pessoas ao redor de nossa querida planta.
Quando se fez noite, e ninguém arredava o pé da frente da verdinha, uma criança, na verdade uma menininha, viu o tumulto na viela e resolveu ver do que se tratava. Aproximou-se das pessoas, percebeu que olhavam fixamente para a árvore. Olhou também para ela. Mas, ora, não conseguiu ver nada de diferente.
Com sua bela inocência, resolveu perguntar por que tanto olhavam!

- Gente, por que vocês estão olhando pra árvore?

Não conseguiu uma resposta, pelo visto estavam tão concentrados que não a ouviram.
Resolveu gritar.

- Geeeeeente! Por que estão olhando tanto para esta árvore????

Nosso primeiro homem (o de chapéu cinza!) desviou os olhos para a menina, e, meio confuso, respondeu:

- Eu... eu não sei. É que... eu achei a folha muito bonita e intensa hoje, e parei para olhá-la. Porém, não tomei meus remédios hoje, eu tenho uma doença psicológica que me faz entrar em transe! - olhou para o relógio - Oh, céus! Preciso ir!

E foi-se.

As outras pessoas sentiram-se um pouco envergonhadas sabe-se porque facilmente.
E a menina continuou sem entender absolutamente nada.

Foram-se aos poucos disfarçando e voltando aos seus afazeres.



Diga-se lá que o orgulho, às vezes, é maior do que uma simples pergunta. E a vontade de sentir-se com conhecimento, possivelmente, também o é.

quinta-feira, julho 05, 2007

Saturno.

Houve uma época em que eu queria por demais ir para Saturno. Sabe, fugir da Terra, desse clima de fogo e morte instantânea. Para onde iria, não existiriam pessoas: e como estas só me decepcionavam, eu achava que lá seria um bom lugar para refletir e viver.
Queria fugir da crueldade, da desigualdade, do egoísmo. Porém, fugir, certamente, não é uma opção de caráter. Aliás, eu já fui cruel, desigual e egoísta. E, ao menos de mim, eu nunca conseguiria fugir.
Eu via apenas o lado ruim das coisas, não percebia que o ser humano é tão mau quanto bom e, muitas vezes, sua natureza acaba-o induzindo a fazer coisas cujas conseqüências causam feridas e arrependimento para toda a vida.
Mas quem sou eu para julgar a maldade ou bondade de alguém? Eu não tenho esse direito. Posso ficar indignada e revoltada, todavia não estou dentro da consciência de ninguém para saber o que se passa, os medos que possui, os impulsos que explodem. Eu sou apenas mais uma pessoa que erra, que deserra, que tenta não mais errar. E, como eu, há várias outras almas tentando melhorar, caindo, caindo, levantando, levantado.
Bom, voltando para meu planetinha querido, eu acho que desisti dele. Seria tão triste se realmente tivesse concluído minha viagem até ele, e lá ter-me isolado do mundo, do calor, da vida e dos sentimentos. Acho que amadureci o suficiente para entender que preciso encarar as situações de frente, lutar pelo que acredito, e não deixar que as coisas ruins prevaleçam sobre as boas.

Há sempre ainda a vontade de fugir, de correr do mundo, dos olhares, e aconchegar-me em meu doce Saturno. Mas eu não consigo. Pois há coisas essências que prendem meu pé aqui, que não me deixam perder a mente no infinito. Há coisas que me fazem abrir os olhos e nunca, nunca desistir.

A essas coisas, só tenho que agradecer-lhes.

quarta-feira, julho 04, 2007

Sobre... tudo.

Borboletas e miragens. Isso é tudo. Tudo o que passa voando por minha mente e vai-se dissipando por entre as paredes já tão conhecidas. As asas deixam purpurinas do universo. Aliás, o universo! O que é esta palavra tão colorida, qual seu real significado?
O mundo. A sua parte verdadeira possui pessoas, animais, plantas, céu, oceano, nuvens. Mas meu mundo tão real e imaginário alimenta-se de sonhos. Sonhos coloridos, como o universo! Todos os dias rego uma pétala de imagens e palavras em minhas mão, apenas para, com o tato, senti-las flutuando.

Tudo.

segunda-feira, junho 25, 2007

Helena.

- Uma estória, vamos lá, você consegue. Feliz...

Ela se chamava Helena, com tempo passado. Era uma escritora de barzinho, daquelas que se matavam para que algumas palavras fossem lidas e aceitas com entusiasmo. Quase ninguém a compreendia, pois sua visão do mundo era um pouco diferente, um tanto niilista, uma pitada de solidão.
Quando começou a escrever devia ter seus dezesseis anos. Era muito imatura para a idade, portanto não escrevia muita coisa que prestasse na real visão literária (oh, olhar!), mas sua paixão viva por tudo que se formava em linguagem era tão avassaladora, que teimou com as palavras, até que estas já não conseguiam viver sem ela. Seus familiares achavam que não tinha futuro como escritora. Aliás, não conseguiam ver futuro algum para Helena, aquela ovelha negra, que não presta para nada.
Um dia, decidiu que iria embora de casa, para bem longe, além-mar. Costumava apanhar daquele monstro bêbado, que não conseguia chamar de pai. Recolheu seus livros, suas poesias, um pouco de dinheiro e roupa, e se foi. Foi-se como a brisa que toca o rosto da manhã. Alojou-se num banco de praça, de uma cidade vizinha à sua. A noite veio, o medo cresceu: estava sozinha, numa praça deserta e sem vida, porém conseguiu acalmar-se e dormir. Quando acordou no dia seguinte, sua mochila havia sumido... Desatou a chorar.
Bem, foi mais ou menos por aí que foi parar em seu barzinho. Com fome, sem dinheiro e sem esperanças, uma doce senhora, de nome indiferente, encontrou-a chorando.

- Menina, por que choras? - parecia ter um sutaque diferente.

- Moça, moça, por favor, me ajude! - arrastou-se até a senhora. - Tenho frio... e medo! - soluçou em lágrimas.

- Guria, tu já estás na idade de virar-te sozinha! Vamos, pára de chorar... vem, levar-te-ei a um lugar aquecido.

Seguiu a senhora por umas ruas não muito agradáveis, até chegar à frente de um bar barulhento, escutava-se uma música tremendamente alta vindo de lá. A senhora entrou e Helena a seguiu... O medo voltou.

- Walter, encontrei uma guria na rua... bem afeiçoada. Te serve? - a senhora adiqüiriu um aspecto astuto, quase como uma ave de rapina.

O homem de nome Walter olhou a menina de cima a baixo, até suspirar e responder:

- Não é das melhoras, mas dá pro gasto. - coçou a barriga. - Qual seu nome?

- Helena. - tentou ser seca.

Helena, seu nome ficou marcado em um panfleto na frente do bar: ela começaria a dublar cantoras famosas, para dar um pouco de audiência àquela velharia. No começo, tudo foi farra e maravilha. Helena escrevia nas horas vagas, em guardanapos, e os deixava nas mesas dos clientes. Alguns achavam que era brincadeira de mau gosto, devido às palavras duras escritas. Outros gostavam do que liam.
Mas algo a incomodava dia e noite. Nunca conseguia escrever algo feliz. Por que todos os seus poemas eram tristes? Por quê?
Em uma noite, aconteceu algo realmente ruim. Walter, que a havia acolhido, começou a engraçar-se para cima de Helena. Esta não queria nada, estava com dezoito anos e ele era um velhaco! Ele tentou forçá-la... e, bem, digamos que pagou sério por isso. Além de ter sentido uma dor tremenda em uma certa parte do corpo, perdeu sua dubladora profissional e mais algumas notas verdes do caixa.

Ela estava novamente nas ruas.

E aqui estamos nós. Eu sou um mendigo, Helena narrou-me toda a sua história. No dia em que fugiu do bar, eu lhe emprestei meu ombro, e ela chorou. Pediu que eu a escutasse. E eu o fiz.
Ela é famosa hoje em dia, ah, se é! Uma escritora de renome. Graças a mim, sim senhor, ela vinha toda semana contar-me sobre o que escrevia... tudo sempre triste. Até que um dia, quando eu estava a beirar a morte, roguei-lhe...

- Uma estória, vamos lá, você consegue. Feliz...

E foi esta estória que todos leram em todos os cantos do mundo.




Não ligue, leitor, para minha boba história. Mas esta menina acreditou nos seus sonhos, e isto vale demais.

quarta-feira, junho 20, 2007

Eu.

Hoje eu quero falar sobre mim. Eu basicamente nunca toco nesse assunto por aqui, e quase nenhum texto é realmente subjetivo. Ora, escrevo com a alma, sinto o que a personagem sente, choro com ela. Mas não sou eu quem está perdida, angustiada, feliz, apesar de todos os sentimentos, ambições e medos virem da minha própria alma.
Eu amo escrever. E não é tão simples assim. Eu não consigo amar muitas coisas, sou uma pessoa um pouco fechada para o sentimento do senso comum. Se sinto, sinto intensamente, até sangrar. E é o que sinto quando escrevo: o sangue. Sinto-o pulsar em minha veias, passeando por todo meu corpo até cair em minhas mãos.
Tenho crises constantes quando não consigo escrever, é como se eu estivesse vazia, sem uma parte essencial de mim. Mas acho que isso é normal, afinal tenho muitas crises, algumas delas provavelmente pela minha idade tão singela: quinze.
Não me sinto diferente com quinze anos, de como me sentia aos quatorze. Todavia algo em mim muda a cada segundo que passa, tal como a luz do sol renasce todos os dias. Uns devem chamar este algo de amadurecimento, outros de abandono filosófico, outros de a merda da puberdade. Eu chamo de viver.
Sabe, eu magôo as pessoas com uma facilidade tremenda, e esta é uma das coisas que necessito transformar. Não acredito em personalidade "forte", mas em personalidade difícil. E penso que a minha é um pouco... irritante. Sou sincera demais e a mais, odeio hipocrisia, falo o que der na telha, e em momentos não muito convenientes. Essa sinceridade em excesso machuca muitas pessoas que me rodeiam. Sou teimosa, cabeça-dura, dona-da-razão, orgulhosa, [coloque aqui mais algum adjetivo apto]. Se acho que estou certa, não importa o que você diga, minha opinião não muda! Eu odeio isso. Odeio, odeio, odeio. É algo que tento mudar, mas não consigo. Já melhorei bastante, nada sério.
Possuo uma frieza imensurável, em certos momentos, que me impressiono comigo mesma. Por horas, choro por tudo. Por outras, não derramo uma lágrima. Sou distante, sem nem ao menos perceber. Isso cria uma falsa impressão de mim a qualquer pessoa. Já escutei várias primeiras idéias sobre mim, quase nenhuma bate com a realidade: arrogante, convencida, tímida demais, extrovertida demais, alegre a todo o tempo, triste, séria. Apesar de eu ter um pouco disto tudo, não consigo definir-me, pois me sou a cada momento, e eu sou muitas coisas.
Minha percepção da realidade é a pior de todas: não sei se existo, e pensar nisso deixa-me tonta. Não sei se estou aqui escrevendo, pensando e tentando sentir-me um pouco mais. Difícil de explicar, porém muito fácil de entender. Eu sou a Priscila, eu, eu, eu. Mas, e se eu não me for? E se eu for o que não sou? Bem, acho que algumas pessoas já devem ter-se perguntado sobre isso.
Com relação a achismos, ACHO que isso é algo conceituoso demais. Não acho que música clássica seja melhor que funk. Não acho que sou mais inteligente que o guri que escreve tudo errado. Não acho que ninguém seja melhor que ninguém. Acho que há pessoas boas e ruins, e que essas pessoas ruins podem tornar-se boas e que merecem ser perdoadas se se arrependerem de seus atos. Sou contra todo o tipo de morte, sou contra ao sofrimento e à infelicidade alheia por fatores egoístas.
Bem, eu sou a Priscila, a menina chata, revoltada, amável, respondona, receptiva. Mas, antes de tudo, sou um ser humano com sentimentos. Talvez seja isso que eu deva colocar em minha cabeça: errar é viver, viver é aprender.

Acabou a vontade de falar de mim, vou postar logo antes que dê vontade de apagar esse texto.

terça-feira, junho 19, 2007

romeoejulieta

Tudo parece ter acontecido em um momento único, tu em meus braços, e nada mais. Aqueles instantes em que tudo é eternizado, brilho de alma única. Ó Romeo, Romeo. Se não tivesses corrido da ausência, da falta do que não vem, onde estaríamos nós?
Tu me pagaste com a vida, e eu com minha morte. A estrela acendeu os olhos para ti, para seu sorriso final. O momento se foi, apesar de eterno, e tudo que desejo é que sejas Romeo outra vez. Que me dês a mão para voarmos pelo infinito e que pisques os olhos, tão doces, para mim.
É inverno, meu querido. E tua ausência é forte. Foste em essência, não em carne. Ainda guardo teu corpo em minha sala velada, com rosas vemelhas e mariposas negras. Todos os dias dou-te um beijo nos lábios gélidos, roxos, queimados. Quero ter-te em beijos de amor... Daria tudo para voltar ao céu e sair deste inferno maldito!

Sou sua não-Julieta, a que tu mais odeias e desprezas, mas, ainda assim, eu te amo com fervor.
Meu Romeo de outono, e falsa miragem de primavera.

quinta-feira, junho 14, 2007

Piscar De Olhos.

Talvez eu lhe sinta muita saudade.

Não, sem talvezes. É sentido, obviamente.

Eu venho andando pelas ruas sem você, e isso quase chora. Eu ainda posso ver nossos braços em nossos ombros rindo de nossos gritos. Gritos de um pingo de felicidade compartilhada, e o êxtase pós-semana. Escuto nossas conversas, nossas histórias inventadas, e cada lembrança entra como uma faca em minha alma, dividindo-a em dois mundos: o antes e o agora.

Eu a vi descendo a escada. Cada degrau, um impulso. Tive a vontade louca de puxar-lhe os cabelos, de socar-lhe a cara, várias e várias e várias vezes. E, em minha imaginação, esperei que me batesse de volta, que me machucasse. E, principalmente, que me arrancasse sangue.
Mas por que não o fiz? Por que nunca arranquei todos os seus fios de cabelo? Por que, após ter-lhe matado, não a abracei de volta?
Porque sou covarde. Não tive coragem, até agora, de admitir a falta. Pois ainda não me domina por completo, ainda consigo agüentar em não ver o sangue pulsar. Mas eu lhe garanto que você é tão covarde quanto eu. Somos uma faca de dois gumes.
Eu nunca admiti para ninguém que estou morrendo por dentro. Que há algo em meus olhos dilacerado. Pois admito agora. Eu sinto doer, e dói muito. Não há outrem, não consigo deixar que entrem em minha mente, que leiam minha alma, como você um dia leu. Tenho certeza que ainda tenta fazê-lo, mas de sua forma discreta.

Eu preciso de você.

Mas parece que somente o precisar não basta.
Eu preciso que você precise de mim.

quinta-feira, maio 10, 2007

EuVocêUniversoAnjo.

É fácil ler em seus olhos
Toda a vida que não passa,
O tempo que voa,
O sorriso sem medida.

Você e seu céu-sonhar
Que me acompanha
Até mesmo quando me adormeço
Em pesadelos de azul.

Um anjo é sua alma
Que não percebe suas palavras
Tão belas e serenas:
Palavras de amor!

Tenho medo de fechar os olhos
E não tê-lo mais em meus braços,
Mas você voa em minhas asas para sempre:
Não há o que temer!

Te adoro, anjo, amor
O amor é adoração de deus
E você não é mais nada que eu
E eu não sou mais nada que o universo eterno.

terça-feira, abril 17, 2007

Entre Ódio e Sangue.

Já era tarde. Ele escoltava a arma na mão. As lágrimas escorriam de seu rosto: era o ódio nascendo. A coragem ia e voltava de seu corpo, como o sol se punha todos os dias, sem cansar-se. Seu sangue borbulhava em suas veias, e a pura indecisão voava em seu corpo inteiro.
Ele andava de um lado para o outro, naquela rua escura. Apenas uma luz estava acesa, tal que era suficiente para iluminar-lhe o rosto moço e já tão abatido. Apertava a mão suada e quase tinha medo daquele escuro, tão letal como a manhã que já se passara há poucas horas.
Sentou-se na beirada da calçada e chorou. Ninguém o escutaria, pois aveludam-se os sons para dentro da alma. Era noite, e estava sozinho, também se fosse dia o estaria. Não tinha certeza se iria conseguir fazê-lo, mas o pior dos sentimentos o sugava a cada respirar. A dor o sufocava, a verdade o tocava.
Em sua mente, viam-se todas as cenas já acontecidas, uma por uma, até o último segundo do infinito, onde parar o movimento seria tão impossível quanto sorrir agora.
A primeira lembrança: os gritos. Ele escutava os sons, mas não reconhecia as palavras. Era ela, apenas sabia, sofrendo e pedindo por ajuda. Quase uma sinfonia de adeus e vontade de desexistir.
Depois segue-se o sangue. Sua arte vermelha arrastava-se por toda a casa até o branco saciar-se em agonia. O sangue dela, que também é seu, foi morto sem escapatória, a crueldade foi lenta e sem intevalos.
Ele a vira ser morta: vingança. Morta por seu amante eterno, tão ilustre, que tanto causava-lhe suspiros apaixonados. Sua própria mãe morta por seu próprio pai. Ele deseja que nada tivesse visto. Deseja que tivesse a chave para voltar pela porta do ontem e ter gritado, arrancando-lhe das mãos brutais.
Mas o presente o aguarda: um carro vem pela rua. Pára perto da luz, e desce um homem. Parece cansado, tem os olhos calmos.

- Meu filho.

Dá-se um abraço.

- Meu pai.

Suspiros, olhares trocados.

- Sinto já tanto a falta de sua mãe, mal se fora de meus braços para o eterno. Devemos unir-nos mais, agora, em função da tristeza.

Cafajeste.

O filho tremia, as palavras do pai somente fizeram-no ter mais ódio. Ele Começou a chorar, o pai sorriu, em disfarce.

- Dê-me mais um abraço, venha cá.

Seria agora. Colocou a mão no bolso e foi abraçá-lo. Dar-lhe-ia um tiro na cabeça, ele veria a escuridão!

- Ah, meu filho! Não se ocupe em tentativas, em pensamentos[...] - calou-se, deixando continuidade.

Ele levantou a arma até a cabeça do pai e, quando ia puxar o gatilho, cravou-se uma estaca em seu peito. E também em sua alma.

- [...] A vingança pode não ser completa.

E se foi, deixando sangue do seu sangue jorrando do peito de seu primogênito, até a morte beijar-lhe os lábios em gratidão.


A vida, às vezes, pode ser sem rumo. Para uns, é alegria. Para outros, perdição. A verdade, em campo de batalha, não existe. Por isso o sangue escorre da mentira e da falta de piedade de quem luta pela sobrevivência.

quinta-feira, abril 12, 2007

Orvalho.

Aqui, por onde vejo as nuvens passar
E por onde o tempo parece estático,
Às vezes consigo sentir cada átomo do
Universo misturar-se à minha alma.

As asas dos anjos roçam por meus cabelos,
Até a vida tornar-se eterna.
E o vento parece ser um sopro de paz,
Em meio a tanto azul que escorre do céu.

Ao lado de Deus pareço estar,
Sem nenhum pecado ou rancor.
Somente impulsionado por este vento
E de corpo e alma pintados de arco-iris.

quarta-feira, março 28, 2007

_

A realidade é quase imperceptível.


Por quê?

quarta-feira, março 14, 2007

SonhoSonharSonhado.

Meu sonho é poder sonhar.
Eu não sei fazê-lo, você pode me ensinar?

O rosa se mistura com o azul,
E o verde com o blue.

Como posso misturar as cores?
Não sei misturar nada, senão dores com amores!

Oh, por favor!
Tome um papel em branco e sinta seu calor.

Minha vida é não saber,
Como posso desenhar e pintar sem escurecer?

Apenas sinta o que deve sentir,
Não tente olhar nem contar, apenas deixe a tinta fluir.

Senhor, bigode e óculos!
Sou jovem, desprotegido, dê-me todos seus votos!

Não posso e não devo!
Você é quem deve descobrir a sorte do trevo!

Eu só quero sonhar,
O que precisa um pobre homem fazer para amar?

Adeus, homem sem sonhos!
Nada mais posso tirar, senão de uma cartola coloridos pombos!

Oh, que se vá!
Aqui eu fico cavando meu túmulo real com uma pá!

Um dia você vai sonhar,
Apena sonhe com isso e sonhando já vai estar!

Talvez eu seja o sonho amado,
O que tanto almejo calado.

Sim, você é.
Agora, por favor, saia do meu pé!

Sairei e voltarei a sonhar!
Adeus, óculos, tesoura e calcanhar!

domingo, fevereiro 25, 2007

O Trem.

É um trem imenso, por onde todos viajam. Sua plataforma é feita de vento, para que empurre os sentimentos rumo ao futuro. Possui somente cinco vagões, um para cada fase da vida e o último para a não-fase.

Ele pisou no primeiro vagão. O trem parecia ir devagar, as janelas estavam meio fechadas, e o ar entrava de leve. Tudo era mágico: o balançar, os trilhos soltando algumas faíscas, de vez em quando, e a música tocada por ninguém. Olhava por uma das janelas, e os trilhos pareciam não haver fim.
Ele via outros, debruçando-se pelas janelas e brincando e rodando e pulando. Dizia-se, por aí, que este era o mais bagunçado vagão de todos. E também o mais feliz. Ele não sabia se era, afinal, nunca visitara os outros. E não podia fazê-lo, até que um camareiro viesse entregar-lhe a chave para abrir a porta de ligação.

Ele pisou no segundo vagão. A sensação foi estranha. Achava que nunca receberia chave alguma. Mas, enfim, uma porta se abriu. Como este era diferente do primeiro! Umas garotas, que nunca havia reparado antes, piscavam para ele, e alguns de seus amiguinhos bebiam líquidos que os deixavam muito, muito felizes.
Ele sentia como se o trem houvesse disparado. Os trilhos e a paisagem passavam rápido. Ele nem conseguia ver as árvores direito. Começou a sentir uma pontada de saudade do primeiro vagão. E uma saudade dos seus antigos amigos que, agora, estavam tão diferentes do que já foram um dia.

Ele pisou no terceiro vagão. Sua cabeça doía. O trem andava mais rápido do que nunca! Nem chegava mais perto das janelas. Ora, para quê? Conhecia aquele cenário há muito, estava cansado de árvores, casas, trilhos, ah! Tudo se repetia, tudo. Seu coração fora partido e estava sozinho, sem vontade para nada.
Foi quando ele sentiu a vontade louca de voltar os vagões. De fugir para o primeiro, para sua lentidão. Mas não pôde voltar, a porta estava trancada para sempre. Começou a chorar. Estava sozinho, enjoado. Pensou em pular pela janela, mas resolveu sentar-se e esperar pelo que vinha pela frente. Nada poderia piorar.

Ele pisou no quarto vagão. Apaixonou-se por um lindo par de olhos cansados e tristes. Pena tê-la conhecido apenas no penúltimo vagão. Queria viver com ela para sempre! E viveu. Mas o último vagão estava chegando, e ele começou a temer. Afinal, o que vinha após o último? O último de tudo?
Passou a ver graça em tudo novamente, pois era o último vagão chegando! Sentou-se, com sua amada, em uma noite chuvosa, e fez juras de amor eterno. Sentiria sua falta, onde quer que fosse parar. Não é preciso citar o quão doloroso foi o adeus dos dois corações rubros e cheios de vida para oferecer.

Ele pisou no quinto vagão. Lembrou-se de tudo que havia passado até ali e chorou. Era tudo tão colorido, misturado, sereno...

Foi avisado que, na próxima estação, deixaria o trem para sempre.

E soltou. Sozinho, até desfazer-se inteiro e misturar-se com o vento. Perdeu os pensamentos, ou estes simplesmente deixaram-se perder.

Mas o trem continuou.

Sem parar. Sem parar. Sem parar.

Eternamente...

domingo, fevereiro 04, 2007

Algo além.

Eu luto porque preciso,
Porque, sem lutar, eu morro.
Entregar-me é fácil,
Mas a derrota vem logo após.

Se o mundo cair à minha volta,
Vou a reconstruí-lo.
Já que, se ele cair,
Eu caio para o inferno.

Viver não é difícil.
Difícil é não viver.
E, não vivendo,
A vida desfalece.

Por acabar, preciso surgir
Do meio de tantos pensamentos
E acabar com todos os sentimentos,
Que me apunhalam a cada respirar.

sábado, janeiro 20, 2007

A Roda Gigante.

Eu me lembro bem do triste rostinho daquela menina de vestido florido. Ela era linda, de seus seis anos tão frágeis como seus olhos azuis iluminados. Devia estar ali há tempos, somente olhando, com uma calma de anjo que chegava a doer a alma. Os pés iam empurando a areia de vez em quando, como quem diz que adoraria sentir o ar do alto, apenas para ver o cabelo balançar.
As outras crianças saíam enjoadas, com medo. Os pais reclamando que odeiam isso tudo, que estão perdendo a novela das oito ou o jornal. Mas a menininha continuava ali, ignorando os rostos de desgosto das crianças que saíam do brinquedo, ignorando os comentários bruscos dos adultos. Parecia que nada poderia desanimá-la.
Sentei-me em um banco, somente para observar a menina. Ela estaria sozinha? Mas era tão pequenina... não poderia estar sem os pais.
Resolvi falar com a doce criança, imagine se estivesse perdida, estava com um rosto tão decepcionado, tão triste...

- Ei, menina, você está bem? - perguntei quase sussurando, para não assustá-la.

Ela não respondeu. Pareceu não ter escutado, estava com toda atenção naquele imenso objeto.

- Menina... está tudo bem? - perguntei novamente, um pouco mais alto.

Ela olhou para mim e moveu os lábios como se fosse responder, mas pareceu que mudou de idéia e virou o rosto subitamente.

- Você está perdida?

- Mamãe diz que não devo falar com estranhos... - disse, e era a voz mais angelical que já ouvira em toda minha vida.

Pensei por um minuto no que falar, ela estava certa. Eu era um completo estranho.

- E onde está sua mãe?

- Ela... ela não sabe que estou aqui, ela não gosta de parques e diz que não tem dinheiro para eu andar nos brinquedos...

A menina pareceu suspirar, continuava a olhar fixamente para sua frente, não me encarava, como se quisesse esconder a tristeza.

- Há quanto tempo está aqui? - bateu-me um aperto no peito, que mãe não teria dinheiro para levar a filha a um parque?

- Desde tardinha...

- E por que só olha para esse brinquedo? Não gosta dos outros?

- É que... eu ouvi um menino dizendo que você pode tocar a lua, lá do alto... mas eu não tenho como tocar... não tenho dinheiro...

Parei por um segundo. Que sonho. Tocar a Lua... que criança mais bela. Que verdade mais linda.
Vi uma lágrima escorrendo de seus olhos. E não é sempre isso que acontece? Quando não conseguimos transformar nossos sonhos em realidade? Nós choramos.

- E se eu for na roda gigante com você? Eu pago sua entrada. - fazer acontecer, pensei.

- Eu... mesmo? Comigo? Lá no alto? - seus olhos encheram-se de sorrisos.

- Sim. - sorri para ela.

Peguei em suas mãos, a filha que nunca tive, e paguei as duas entradas. Sentamos no banco da roda gigante e lá fomos nós. O céu estava abarrotado de estrelas, naquela noite. E a Lua estava bem na nossa frente. Parecia chamar-nos para dançarmos uma cantiga de roda, para lembrarmos do tempo em que não existíamos. Peguei em sua mão e a coloquei no espaço em que a lua se encontrava.

- Viu? Agora você tocou a lua.

Ela abriu um enorme sorriso, daqueles sinceros e únicos.
Ficou maravilhada com o vento batendo em sua pele. Parecia que aquele era o momento mais feliz de toda sua pequena vida. A cada volta, ela suspirava mais, como se estivesse comendo um doce e não quisesse que ele acabasse. Mas o passeio estava acabando e nós já teríamos que descer.

- Bem, parece que acabou. - disse, meio chateado.

Ela soltou um pequeno riso e desceu do brinquedo correndo. Eu não tive tempo nem para levantar-me, e ela já estava na porta do parque, dando adeus para mim...
Não recebi obrigada. Não recebi agradecimento. Fique triste por saber que nunca mais veria aquele sorriso novamente. Mas alegrei-me ao saber que transformara o sonho de uma menina em realidade.
Percebi, então, que ela não agradeceu com palavras, mas agradeceu com a maior felicidade que já tivera. E isso, meus caros, nem mesmo uma palavra de afeto poderia substituir.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Gota.

Vim dizer-lhe,
Gota de água,
O que meu coração suprime.

Você pode senti-lo bater?
Tum. Tum. Tum.
Ele quebra a sintonia de sua morte.

Cai, gota, ao chão.
Deixa de viver,
Como terra,
Como água,
Como pó.

Cai, gota, nos meus fios de cabelo
E penteia minha alma.
Você consegue descê-los, sem neles tocar?

Vai, vai embora com o vento.
Para longe.
Misture-se com a chuva.

E leve consigo uma lágrima, gota.

- Uma lágrima-gota.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Ainda Assim.

Se eu fosse vestígio
Do que já se passou,
Ainda assim,
você me recordaria?

Se eu fosse um símbolo,
Fechado, cravado: uma incógnita,
Ainda assim,
Você me decifraria?

Se eu fosse a água poluída
De rios mentirosos,
Ainda assim,
Você me nadaria?

Se eu fosse a vida
Com desgraça e sem sorrisos,
Ainda assim,
Você me viveria?

- Pergunto-lhe, ao final:

Se eu fosse o que sou,
Escondida por máscaras,
Atrás de sentimentos não-sentimentais

Se eu fosse um espinho em vez de rosa,
Se eu fosse má poesia em vez de prosa,

Se eu fosse inferno em vez de céu
Se eu fosse amarga em vez de mel,


Ainda assim,

Você me amaria?


[ Se, ainda assim, você me amar, eu lhe pago uma bebida. ]