Sonhei que não mais sonhava: era tudo real.
Eu era uma fada e tinha os cabelos longos, atés os pés, trançados, muito trançados. Eu conhecia o passado, o presente e o futuro, meus olhos eram como priscas. Estava com um longo vestido, o mundo girava, girava tanto que as cores misturavam-se com os sons, e estes, por sua vez, mesclavam-se com as palavras.
Você não estava lá. Não, não havia ninguém. Eu estava só e eu era o mundo, todos estavam em mim. Cada átomo do meu corpo era sentido exatamente como o infinito de pensamentos existentes. Oh, eu estava envolta em pensamentos! Pensamentos inigualáveis, sensíveis, intocáveis!
E, de repente, sim, tão momentâneo, eu desapareci, eternamente, não sentia mais nada, nem o vento, nem a dor de simplesmente não existir. Eu me tornei plena, ao mesmo tempo de não poder tornar-me mais coisa alguma! Eu me fui e deixei de ser, ainda sendo, sendo todas as coisas e o nada.
Desencontrei-me e encontrei-me.
Sorri.
Mas sorrisos existiam?
terça-feira, agosto 21, 2007
quarta-feira, agosto 08, 2007
|
Eu sonho demais, romantizo tudo à minha volta. Acredito em tudo e em todos, não me importo em quantas vezes eu vou bater a cara, não me importo se vai sangrar, doer ou machucar, não me importo se vão-se abrir cicatrizes que nunca mais desaparecerão.
Não acredito em amores. Não consigo acreditar em vários que passam, vêm e ficam por algum tempo: somente o que é eterno é amor. Eterno agora e depois, além da vida, sem medo das lágrimas, sem medo do que é humano e defeituoso. Sem medo da carne e da alma. Apenas flui como água em movimento, mas nunca seca.
É doloroso pensar em qualquer outra forma, e essa dor é insuportável, é quase como sonhos que são quebrados, é quase como trair a minha fé, minha pouca fé e quase escassa. Não sei o que entendem que é para sempre, mas o meu para sempre é literal. Não é apenas coisa de momento: é independente, incondicional.
Não preciso de aprovação, às vezes acho que não preciso ser amada para meu amor continuar, não, realmente não preciso. Virar-se-ia algo platônico, inalcançável, incorpóreo. Bem, voltamos ao meu lado romantizador de tudo...
Não acreditar nisso e não senti-lo é quase como deixar de viver, como perder-me nas trevas, num barco no meio do oceano.
Inexplicável.
E não peço que haja explicação, mas às vezes não queria sentir dessa forma, que me parece tão avassaladora, tão amedrontadora. Dessa forma que é tão incomum, tão irracional, mas que é minha forma de amar.
E agradeço por sê-la.
Sobre como me sinto: controlada pelo sentimento, pisando na razão. Com medo de você, de suas palavras.
Com medo, só isso. Com medo.
Não acredito em amores. Não consigo acreditar em vários que passam, vêm e ficam por algum tempo: somente o que é eterno é amor. Eterno agora e depois, além da vida, sem medo das lágrimas, sem medo do que é humano e defeituoso. Sem medo da carne e da alma. Apenas flui como água em movimento, mas nunca seca.
É doloroso pensar em qualquer outra forma, e essa dor é insuportável, é quase como sonhos que são quebrados, é quase como trair a minha fé, minha pouca fé e quase escassa. Não sei o que entendem que é para sempre, mas o meu para sempre é literal. Não é apenas coisa de momento: é independente, incondicional.
Não preciso de aprovação, às vezes acho que não preciso ser amada para meu amor continuar, não, realmente não preciso. Virar-se-ia algo platônico, inalcançável, incorpóreo. Bem, voltamos ao meu lado romantizador de tudo...
Não acreditar nisso e não senti-lo é quase como deixar de viver, como perder-me nas trevas, num barco no meio do oceano.
Inexplicável.
E não peço que haja explicação, mas às vezes não queria sentir dessa forma, que me parece tão avassaladora, tão amedrontadora. Dessa forma que é tão incomum, tão irracional, mas que é minha forma de amar.
E agradeço por sê-la.
Sobre como me sinto: controlada pelo sentimento, pisando na razão. Com medo de você, de suas palavras.
Com medo, só isso. Com medo.
segunda-feira, agosto 06, 2007
Sonho.
Em dedicação a duas pessoas. Uma é o amor perdido, a outra, o eu-lírico.
Criação, amor, união.
Éramos nós e os sorrisos,
A noite em começo
E o brilho do luar.
Você, um anjo, minha amada,
Não tão mais minha,
Que me rugia os cabelos negros,
E deixava-me amá-la.
Eu, agora, estou perdido
Tanto caos em minha volta,
Falta de razão
E perda de vida!
Não consigo parar de chorar,
Pois achava que era para sempre,
E não somente efemeridade
Todo o amor
Que sentíamos um pelo outro.
E Que ainda sinto por você...
Criação, amor, união.
Éramos nós e os sorrisos,
A noite em começo
E o brilho do luar.
Você, um anjo, minha amada,
Não tão mais minha,
Que me rugia os cabelos negros,
E deixava-me amá-la.
Eu, agora, estou perdido
Tanto caos em minha volta,
Falta de razão
E perda de vida!
Não consigo parar de chorar,
Pois achava que era para sempre,
E não somente efemeridade
Todo o amor
Que sentíamos um pelo outro.
E Que ainda sinto por você...
Coragem e desespero.
Ela caminhava pelo cemitério. Era uma noite bonita, estava sozinha, e tudo ia perfeitamente bem. Já eram dez horas, precisava apenas apressar-se um pouco, não se atrasaria. E, se se atrasasse, não faria muita diferença.
Seus passos beiravam inseguros, mas sóbrios. Seu corpo começara a tremer, e ela teve um sincero medo de voltar-se e correr dali. Não obstante, uma força a impulsionava, jorrava, gritava! Iria seguir em frente, iria conseguir, ah, se iria.
Havia rosas. Eram os olhos de seu marido acompanhando-a pelas salas escuras de sua mente. Sentia o cheiro. Angústia. Lágrimas. Lágrimas. Lárimas. Pétalas de rosa....
Apertou as mãos: lembranças. Se não tivesse a consciência, maldita consciência!, certamente estaria em casa, dormindo, lendo um livro, fazendo carinho em seu gato. Pois bem, ainda dava tempo, mas os passos continuavam, não cessavam, queriam sua recompensa. Sorriu de desespero, gargalhou e chorou. Era loucura! O que estava pensando! Oh, promessas, oh, sonhos! O amor, o amor, o amor!
Adeus. E sabia que não era adeus. Era um navio partindo, que pedia para que se jogasse ao mar, caso não voltasse de viagem. E ela se jogaria...?
Finalmente. Seu vestido negro balançava com o suspirar do vento, seus cabelos roçavam-lhe a face. Luísa estava ali. Luísa, uma mulher baixa e bonita. Ela estava lá, encarando-a, surpreendida, talvez sem ar. Era pálida, e suas roupas confundiam-se com sua pele. Sorriu.
Sorriu? Nós costumávamos sorrir, Luísa.
- Você tem certeza, moça? - Luísa estremeceu.
- Eleonora, por favor. - Acalentou os próprio braços. - Sim, o tenho. Já lhe paguei, não? Sim, creio que já acertamos.
Ei-lo.
Lá estava o túmulo cavado, o caixão tão grande. E seu amado. Com seu anel de ouro... "As estrelas nos guiam ao nosso eterno amor." Ela largou o punhal, seus olhos encheram-se de lágrimas.
Não! Não! Como pode?
- Serei enterrada viva.
- O quê?
- Já escutou.
Ela queria ficar sã e senti-lo mais uma vez ao seu lado, como adormecido. Seria como antes, estariam abraçados como se o tempo estivesse parado e como se fossem eternos.
Cruel decisão.
Deitou-se no caixão, e este foi fechado. Deixou o punhal com luísa, caso o desespero a tomasse e quisesse tirar a vida antes do momento. Queria tocar-lhe a face até os últimos segundos de vida, até quando não mais pudesse respirar.
A terra foi caíndo, a escuridão penetrou...
E ela cantava, quase sorridente, corajosa, serena, abraçada, passando os dedos entre os dois anéis idênticos, uma música que falava sobre amor, até mesmo quando a morte nos chama...
Sorriu.
E o ar acabou.
Seus passos beiravam inseguros, mas sóbrios. Seu corpo começara a tremer, e ela teve um sincero medo de voltar-se e correr dali. Não obstante, uma força a impulsionava, jorrava, gritava! Iria seguir em frente, iria conseguir, ah, se iria.
Havia rosas. Eram os olhos de seu marido acompanhando-a pelas salas escuras de sua mente. Sentia o cheiro. Angústia. Lágrimas. Lágrimas. Lárimas. Pétalas de rosa....
Apertou as mãos: lembranças. Se não tivesse a consciência, maldita consciência!, certamente estaria em casa, dormindo, lendo um livro, fazendo carinho em seu gato. Pois bem, ainda dava tempo, mas os passos continuavam, não cessavam, queriam sua recompensa. Sorriu de desespero, gargalhou e chorou. Era loucura! O que estava pensando! Oh, promessas, oh, sonhos! O amor, o amor, o amor!
Adeus. E sabia que não era adeus. Era um navio partindo, que pedia para que se jogasse ao mar, caso não voltasse de viagem. E ela se jogaria...?
Finalmente. Seu vestido negro balançava com o suspirar do vento, seus cabelos roçavam-lhe a face. Luísa estava ali. Luísa, uma mulher baixa e bonita. Ela estava lá, encarando-a, surpreendida, talvez sem ar. Era pálida, e suas roupas confundiam-se com sua pele. Sorriu.
Sorriu? Nós costumávamos sorrir, Luísa.
- Você tem certeza, moça? - Luísa estremeceu.
- Eleonora, por favor. - Acalentou os próprio braços. - Sim, o tenho. Já lhe paguei, não? Sim, creio que já acertamos.
Ei-lo.
Lá estava o túmulo cavado, o caixão tão grande. E seu amado. Com seu anel de ouro... "As estrelas nos guiam ao nosso eterno amor." Ela largou o punhal, seus olhos encheram-se de lágrimas.
Não! Não! Como pode?
- Serei enterrada viva.
- O quê?
- Já escutou.
Ela queria ficar sã e senti-lo mais uma vez ao seu lado, como adormecido. Seria como antes, estariam abraçados como se o tempo estivesse parado e como se fossem eternos.
Cruel decisão.
Deitou-se no caixão, e este foi fechado. Deixou o punhal com luísa, caso o desespero a tomasse e quisesse tirar a vida antes do momento. Queria tocar-lhe a face até os últimos segundos de vida, até quando não mais pudesse respirar.
A terra foi caíndo, a escuridão penetrou...
E ela cantava, quase sorridente, corajosa, serena, abraçada, passando os dedos entre os dois anéis idênticos, uma música que falava sobre amor, até mesmo quando a morte nos chama...
Sorriu.
E o ar acabou.
segunda-feira, julho 30, 2007
!
As pessoas caminham lentamente pela rua: querem chegar, sem rasgar, sem conhecer, apenas... devagar? Eu estava divagando sobre o mundo, sobre os prédios altos, sobre as àrvores que estão-se sufocando. Não sei aonde quero ir, mas, no meio de tanta pressa e não-face, eu consigo congelar a visão e encontrar-me com as estrelas longínquas.
É infantilidade, e até mesmo drama. Que seja, eu não ligo para o que pensam, eu apenas quero explodir, de alguma forma, esses sentimentos não-sentidos, essas coisas que me angustiam, e que eu nem ao menos sei explicar.
Pois bem: está frio, minha alma congela. Meus dedos conseguem transmitir as palavras, mas minha mente (vulgar coração) não consegue nem ao menos criar uma frase, de tão cheia de alucinações e fatores reais. Minhas unhas tentam alcançar minha carne e tirar-lhe sangue, talvez eu sentisse algo assim, com a dor feita e momentânea.
Eu não sei como passar para palavras, é tão incrivelmente difícil escrever! Escrever sobre isso e deixar solto, para que leiam, vejam e riam! Rir, certamente, pois talvez não entendam e, se entenderem, talvez queiram pisar, bater palmas para o vazio, e vaiarem com o veludo. Quem está realmente dentro de mim não é ninguém. As pessoas simplesmente acham que conseguem ver o que as outras sentem, o que elas querem, desejam e temem. Idiotas.
Às vezes eu não sei o que esperar, não sei do que temer. Morrer? Bem, eu não sei nem se existo, talvez morrer não faça tanta diferença. Viver? A ação para quem não está morto. Será que estou viva? Será que sou algo senão alguma migalha de pensamento surgido de alguém?
Quer saber? Eu não sei. E cansei disso. Eu estou com muita raiva, não, não de alguém, mas de mim. Eu não consegui colocar para fora até agora o que preciso, necessito e desejo de toda a alma colocar!
Não.
Feliz é você que não entende o que sinto.
Ou não, talvez você esteja pior do que eu em matéria de sentidos.
É infantilidade, e até mesmo drama. Que seja, eu não ligo para o que pensam, eu apenas quero explodir, de alguma forma, esses sentimentos não-sentidos, essas coisas que me angustiam, e que eu nem ao menos sei explicar.
Pois bem: está frio, minha alma congela. Meus dedos conseguem transmitir as palavras, mas minha mente (vulgar coração) não consegue nem ao menos criar uma frase, de tão cheia de alucinações e fatores reais. Minhas unhas tentam alcançar minha carne e tirar-lhe sangue, talvez eu sentisse algo assim, com a dor feita e momentânea.
Eu não sei como passar para palavras, é tão incrivelmente difícil escrever! Escrever sobre isso e deixar solto, para que leiam, vejam e riam! Rir, certamente, pois talvez não entendam e, se entenderem, talvez queiram pisar, bater palmas para o vazio, e vaiarem com o veludo. Quem está realmente dentro de mim não é ninguém. As pessoas simplesmente acham que conseguem ver o que as outras sentem, o que elas querem, desejam e temem. Idiotas.
Às vezes eu não sei o que esperar, não sei do que temer. Morrer? Bem, eu não sei nem se existo, talvez morrer não faça tanta diferença. Viver? A ação para quem não está morto. Será que estou viva? Será que sou algo senão alguma migalha de pensamento surgido de alguém?
Quer saber? Eu não sei. E cansei disso. Eu estou com muita raiva, não, não de alguém, mas de mim. Eu não consegui colocar para fora até agora o que preciso, necessito e desejo de toda a alma colocar!
Não.
Feliz é você que não entende o que sinto.
Ou não, talvez você esteja pior do que eu em matéria de sentidos.
sábado, julho 21, 2007
?
Minhas mãos tremem, as lágrimas caem. O corpo não é mais corpo: é medo. Enrosco-me na coberta, tenho frio, um frio de alma, estranho frio. Encolho-me no sofá e choro. Choro muito.
Paro de escrever, coloco a mão na testa e choro novamente. Não consigo parar de chorar.
Eu quero morrer.
Paro de escrever, coloco a mão na testa e choro novamente. Não consigo parar de chorar.
Eu quero morrer.
quarta-feira, julho 18, 2007
Um, dois, três...
Ela vasculha o passado,
Quase adormecida,
Os olhos fechados.
Passa os dedos pelas fitinhas de ouro
Que envolvem a passagem do tempo
E tenta abrir o baú empoeirado.
Seus pés grudaram-se no chão,
A um passo do futuro.
E meio passo do que já passou.
Compasso: presente.
Abriu-se a alma,
Fecharam-se os olhos.
Voltou a sonhar,
O mundo não pára,
O sono não descansa.
O tempo sempre a tocar
A harmonia do que se foi
Do que é e do que será.
Quase adormecida,
Os olhos fechados.
Passa os dedos pelas fitinhas de ouro
Que envolvem a passagem do tempo
E tenta abrir o baú empoeirado.
Seus pés grudaram-se no chão,
A um passo do futuro.
E meio passo do que já passou.
Compasso: presente.
Abriu-se a alma,
Fecharam-se os olhos.
Voltou a sonhar,
O mundo não pára,
O sono não descansa.
O tempo sempre a tocar
A harmonia do que se foi
Do que é e do que será.
quarta-feira, julho 11, 2007
Árvore, magnífica árvore!
Era uma tarde cinzenta, o tempo estava razoavelmente fresco, e as ruas com gotas de uma chuva que acabara de ir-se. O inverno finalmente desabrochara. Não havia muitas pessoas na rua de manhã e nem quando começou a entardecer. Somente um pouco mais à tardinha.
Mas vamos ao fato: havia um homem que vinha do trabalho para casa, todos os dias, pelo mesmo lugar. Andava com sua maleta, seu chapéu cinza (como nossa tarde!) e seus sapatos impecavelmente brilhantes. Mas, hoje, quando virou a esquina de uma viela principal, parou subitamente, como se estivesse encantando, em frente a uma árvore, que sempre estivera ali, há muito tempo.
Bem, ele ficou parado, olhando para a árvore, durante alguns minutos apenas, até um senhor de bengala, com cara de irritado, resolver parar e também olhar para a àrvore, com muito interesse. Mais duas mulheres também resolveram observar tal mágica coisa que separa pessoas de seus dias tão corridos. E assim foram-se juntando pessoas e pessoas ao redor de nossa querida planta.
Quando se fez noite, e ninguém arredava o pé da frente da verdinha, uma criança, na verdade uma menininha, viu o tumulto na viela e resolveu ver do que se tratava. Aproximou-se das pessoas, percebeu que olhavam fixamente para a árvore. Olhou também para ela. Mas, ora, não conseguiu ver nada de diferente.
Com sua bela inocência, resolveu perguntar por que tanto olhavam!
- Gente, por que vocês estão olhando pra árvore?
Não conseguiu uma resposta, pelo visto estavam tão concentrados que não a ouviram.
Resolveu gritar.
- Geeeeeente! Por que estão olhando tanto para esta árvore????
Nosso primeiro homem (o de chapéu cinza!) desviou os olhos para a menina, e, meio confuso, respondeu:
- Eu... eu não sei. É que... eu achei a folha muito bonita e intensa hoje, e parei para olhá-la. Porém, não tomei meus remédios hoje, eu tenho uma doença psicológica que me faz entrar em transe! - olhou para o relógio - Oh, céus! Preciso ir!
E foi-se.
As outras pessoas sentiram-se um pouco envergonhadas sabe-se porque facilmente.
E a menina continuou sem entender absolutamente nada.
Foram-se aos poucos disfarçando e voltando aos seus afazeres.
Diga-se lá que o orgulho, às vezes, é maior do que uma simples pergunta. E a vontade de sentir-se com conhecimento, possivelmente, também o é.
Mas vamos ao fato: havia um homem que vinha do trabalho para casa, todos os dias, pelo mesmo lugar. Andava com sua maleta, seu chapéu cinza (como nossa tarde!) e seus sapatos impecavelmente brilhantes. Mas, hoje, quando virou a esquina de uma viela principal, parou subitamente, como se estivesse encantando, em frente a uma árvore, que sempre estivera ali, há muito tempo.
Bem, ele ficou parado, olhando para a árvore, durante alguns minutos apenas, até um senhor de bengala, com cara de irritado, resolver parar e também olhar para a àrvore, com muito interesse. Mais duas mulheres também resolveram observar tal mágica coisa que separa pessoas de seus dias tão corridos. E assim foram-se juntando pessoas e pessoas ao redor de nossa querida planta.
Quando se fez noite, e ninguém arredava o pé da frente da verdinha, uma criança, na verdade uma menininha, viu o tumulto na viela e resolveu ver do que se tratava. Aproximou-se das pessoas, percebeu que olhavam fixamente para a árvore. Olhou também para ela. Mas, ora, não conseguiu ver nada de diferente.
Com sua bela inocência, resolveu perguntar por que tanto olhavam!
- Gente, por que vocês estão olhando pra árvore?
Não conseguiu uma resposta, pelo visto estavam tão concentrados que não a ouviram.
Resolveu gritar.
- Geeeeeente! Por que estão olhando tanto para esta árvore????
Nosso primeiro homem (o de chapéu cinza!) desviou os olhos para a menina, e, meio confuso, respondeu:
- Eu... eu não sei. É que... eu achei a folha muito bonita e intensa hoje, e parei para olhá-la. Porém, não tomei meus remédios hoje, eu tenho uma doença psicológica que me faz entrar em transe! - olhou para o relógio - Oh, céus! Preciso ir!
E foi-se.
As outras pessoas sentiram-se um pouco envergonhadas sabe-se porque facilmente.
E a menina continuou sem entender absolutamente nada.
Foram-se aos poucos disfarçando e voltando aos seus afazeres.
Diga-se lá que o orgulho, às vezes, é maior do que uma simples pergunta. E a vontade de sentir-se com conhecimento, possivelmente, também o é.
quinta-feira, julho 05, 2007
Saturno.
Houve uma época em que eu queria por demais ir para Saturno. Sabe, fugir da Terra, desse clima de fogo e morte instantânea. Para onde iria, não existiriam pessoas: e como estas só me decepcionavam, eu achava que lá seria um bom lugar para refletir e viver.
Queria fugir da crueldade, da desigualdade, do egoísmo. Porém, fugir, certamente, não é uma opção de caráter. Aliás, eu já fui cruel, desigual e egoísta. E, ao menos de mim, eu nunca conseguiria fugir.
Eu via apenas o lado ruim das coisas, não percebia que o ser humano é tão mau quanto bom e, muitas vezes, sua natureza acaba-o induzindo a fazer coisas cujas conseqüências causam feridas e arrependimento para toda a vida.
Mas quem sou eu para julgar a maldade ou bondade de alguém? Eu não tenho esse direito. Posso ficar indignada e revoltada, todavia não estou dentro da consciência de ninguém para saber o que se passa, os medos que possui, os impulsos que explodem. Eu sou apenas mais uma pessoa que erra, que deserra, que tenta não mais errar. E, como eu, há várias outras almas tentando melhorar, caindo, caindo, levantando, levantado.
Bom, voltando para meu planetinha querido, eu acho que desisti dele. Seria tão triste se realmente tivesse concluído minha viagem até ele, e lá ter-me isolado do mundo, do calor, da vida e dos sentimentos. Acho que amadureci o suficiente para entender que preciso encarar as situações de frente, lutar pelo que acredito, e não deixar que as coisas ruins prevaleçam sobre as boas.
Há sempre ainda a vontade de fugir, de correr do mundo, dos olhares, e aconchegar-me em meu doce Saturno. Mas eu não consigo. Pois há coisas essências que prendem meu pé aqui, que não me deixam perder a mente no infinito. Há coisas que me fazem abrir os olhos e nunca, nunca desistir.
A essas coisas, só tenho que agradecer-lhes.
Queria fugir da crueldade, da desigualdade, do egoísmo. Porém, fugir, certamente, não é uma opção de caráter. Aliás, eu já fui cruel, desigual e egoísta. E, ao menos de mim, eu nunca conseguiria fugir.
Eu via apenas o lado ruim das coisas, não percebia que o ser humano é tão mau quanto bom e, muitas vezes, sua natureza acaba-o induzindo a fazer coisas cujas conseqüências causam feridas e arrependimento para toda a vida.
Mas quem sou eu para julgar a maldade ou bondade de alguém? Eu não tenho esse direito. Posso ficar indignada e revoltada, todavia não estou dentro da consciência de ninguém para saber o que se passa, os medos que possui, os impulsos que explodem. Eu sou apenas mais uma pessoa que erra, que deserra, que tenta não mais errar. E, como eu, há várias outras almas tentando melhorar, caindo, caindo, levantando, levantado.
Bom, voltando para meu planetinha querido, eu acho que desisti dele. Seria tão triste se realmente tivesse concluído minha viagem até ele, e lá ter-me isolado do mundo, do calor, da vida e dos sentimentos. Acho que amadureci o suficiente para entender que preciso encarar as situações de frente, lutar pelo que acredito, e não deixar que as coisas ruins prevaleçam sobre as boas.
Há sempre ainda a vontade de fugir, de correr do mundo, dos olhares, e aconchegar-me em meu doce Saturno. Mas eu não consigo. Pois há coisas essências que prendem meu pé aqui, que não me deixam perder a mente no infinito. Há coisas que me fazem abrir os olhos e nunca, nunca desistir.
A essas coisas, só tenho que agradecer-lhes.
quarta-feira, julho 04, 2007
Sobre... tudo.
Borboletas e miragens. Isso é tudo. Tudo o que passa voando por minha mente e vai-se dissipando por entre as paredes já tão conhecidas. As asas deixam purpurinas do universo. Aliás, o universo! O que é esta palavra tão colorida, qual seu real significado?
O mundo. A sua parte verdadeira possui pessoas, animais, plantas, céu, oceano, nuvens. Mas meu mundo tão real e imaginário alimenta-se de sonhos. Sonhos coloridos, como o universo! Todos os dias rego uma pétala de imagens e palavras em minhas mão, apenas para, com o tato, senti-las flutuando.
Tudo.
O mundo. A sua parte verdadeira possui pessoas, animais, plantas, céu, oceano, nuvens. Mas meu mundo tão real e imaginário alimenta-se de sonhos. Sonhos coloridos, como o universo! Todos os dias rego uma pétala de imagens e palavras em minhas mão, apenas para, com o tato, senti-las flutuando.
Tudo.
segunda-feira, junho 25, 2007
Helena.
- Uma estória, vamos lá, você consegue. Feliz...
Ela se chamava Helena, com tempo passado. Era uma escritora de barzinho, daquelas que se matavam para que algumas palavras fossem lidas e aceitas com entusiasmo. Quase ninguém a compreendia, pois sua visão do mundo era um pouco diferente, um tanto niilista, uma pitada de solidão.
Quando começou a escrever devia ter seus dezesseis anos. Era muito imatura para a idade, portanto não escrevia muita coisa que prestasse na real visão literária (oh, olhar!), mas sua paixão viva por tudo que se formava em linguagem era tão avassaladora, que teimou com as palavras, até que estas já não conseguiam viver sem ela. Seus familiares achavam que não tinha futuro como escritora. Aliás, não conseguiam ver futuro algum para Helena, aquela ovelha negra, que não presta para nada.
Um dia, decidiu que iria embora de casa, para bem longe, além-mar. Costumava apanhar daquele monstro bêbado, que não conseguia chamar de pai. Recolheu seus livros, suas poesias, um pouco de dinheiro e roupa, e se foi. Foi-se como a brisa que toca o rosto da manhã. Alojou-se num banco de praça, de uma cidade vizinha à sua. A noite veio, o medo cresceu: estava sozinha, numa praça deserta e sem vida, porém conseguiu acalmar-se e dormir. Quando acordou no dia seguinte, sua mochila havia sumido... Desatou a chorar.
Bem, foi mais ou menos por aí que foi parar em seu barzinho. Com fome, sem dinheiro e sem esperanças, uma doce senhora, de nome indiferente, encontrou-a chorando.
- Menina, por que choras? - parecia ter um sutaque diferente.
- Moça, moça, por favor, me ajude! - arrastou-se até a senhora. - Tenho frio... e medo! - soluçou em lágrimas.
- Guria, tu já estás na idade de virar-te sozinha! Vamos, pára de chorar... vem, levar-te-ei a um lugar aquecido.
Seguiu a senhora por umas ruas não muito agradáveis, até chegar à frente de um bar barulhento, escutava-se uma música tremendamente alta vindo de lá. A senhora entrou e Helena a seguiu... O medo voltou.
- Walter, encontrei uma guria na rua... bem afeiçoada. Te serve? - a senhora adiqüiriu um aspecto astuto, quase como uma ave de rapina.
O homem de nome Walter olhou a menina de cima a baixo, até suspirar e responder:
- Não é das melhoras, mas dá pro gasto. - coçou a barriga. - Qual seu nome?
- Helena. - tentou ser seca.
Helena, seu nome ficou marcado em um panfleto na frente do bar: ela começaria a dublar cantoras famosas, para dar um pouco de audiência àquela velharia. No começo, tudo foi farra e maravilha. Helena escrevia nas horas vagas, em guardanapos, e os deixava nas mesas dos clientes. Alguns achavam que era brincadeira de mau gosto, devido às palavras duras escritas. Outros gostavam do que liam.
Mas algo a incomodava dia e noite. Nunca conseguia escrever algo feliz. Por que todos os seus poemas eram tristes? Por quê?
Em uma noite, aconteceu algo realmente ruim. Walter, que a havia acolhido, começou a engraçar-se para cima de Helena. Esta não queria nada, estava com dezoito anos e ele era um velhaco! Ele tentou forçá-la... e, bem, digamos que pagou sério por isso. Além de ter sentido uma dor tremenda em uma certa parte do corpo, perdeu sua dubladora profissional e mais algumas notas verdes do caixa.
Ela estava novamente nas ruas.
E aqui estamos nós. Eu sou um mendigo, Helena narrou-me toda a sua história. No dia em que fugiu do bar, eu lhe emprestei meu ombro, e ela chorou. Pediu que eu a escutasse. E eu o fiz.
Ela é famosa hoje em dia, ah, se é! Uma escritora de renome. Graças a mim, sim senhor, ela vinha toda semana contar-me sobre o que escrevia... tudo sempre triste. Até que um dia, quando eu estava a beirar a morte, roguei-lhe...
- Uma estória, vamos lá, você consegue. Feliz...
E foi esta estória que todos leram em todos os cantos do mundo.
Não ligue, leitor, para minha boba história. Mas esta menina acreditou nos seus sonhos, e isto vale demais.
Ela se chamava Helena, com tempo passado. Era uma escritora de barzinho, daquelas que se matavam para que algumas palavras fossem lidas e aceitas com entusiasmo. Quase ninguém a compreendia, pois sua visão do mundo era um pouco diferente, um tanto niilista, uma pitada de solidão.
Quando começou a escrever devia ter seus dezesseis anos. Era muito imatura para a idade, portanto não escrevia muita coisa que prestasse na real visão literária (oh, olhar!), mas sua paixão viva por tudo que se formava em linguagem era tão avassaladora, que teimou com as palavras, até que estas já não conseguiam viver sem ela. Seus familiares achavam que não tinha futuro como escritora. Aliás, não conseguiam ver futuro algum para Helena, aquela ovelha negra, que não presta para nada.
Um dia, decidiu que iria embora de casa, para bem longe, além-mar. Costumava apanhar daquele monstro bêbado, que não conseguia chamar de pai. Recolheu seus livros, suas poesias, um pouco de dinheiro e roupa, e se foi. Foi-se como a brisa que toca o rosto da manhã. Alojou-se num banco de praça, de uma cidade vizinha à sua. A noite veio, o medo cresceu: estava sozinha, numa praça deserta e sem vida, porém conseguiu acalmar-se e dormir. Quando acordou no dia seguinte, sua mochila havia sumido... Desatou a chorar.
Bem, foi mais ou menos por aí que foi parar em seu barzinho. Com fome, sem dinheiro e sem esperanças, uma doce senhora, de nome indiferente, encontrou-a chorando.
- Menina, por que choras? - parecia ter um sutaque diferente.
- Moça, moça, por favor, me ajude! - arrastou-se até a senhora. - Tenho frio... e medo! - soluçou em lágrimas.
- Guria, tu já estás na idade de virar-te sozinha! Vamos, pára de chorar... vem, levar-te-ei a um lugar aquecido.
Seguiu a senhora por umas ruas não muito agradáveis, até chegar à frente de um bar barulhento, escutava-se uma música tremendamente alta vindo de lá. A senhora entrou e Helena a seguiu... O medo voltou.
- Walter, encontrei uma guria na rua... bem afeiçoada. Te serve? - a senhora adiqüiriu um aspecto astuto, quase como uma ave de rapina.
O homem de nome Walter olhou a menina de cima a baixo, até suspirar e responder:
- Não é das melhoras, mas dá pro gasto. - coçou a barriga. - Qual seu nome?
- Helena. - tentou ser seca.
Helena, seu nome ficou marcado em um panfleto na frente do bar: ela começaria a dublar cantoras famosas, para dar um pouco de audiência àquela velharia. No começo, tudo foi farra e maravilha. Helena escrevia nas horas vagas, em guardanapos, e os deixava nas mesas dos clientes. Alguns achavam que era brincadeira de mau gosto, devido às palavras duras escritas. Outros gostavam do que liam.
Mas algo a incomodava dia e noite. Nunca conseguia escrever algo feliz. Por que todos os seus poemas eram tristes? Por quê?
Em uma noite, aconteceu algo realmente ruim. Walter, que a havia acolhido, começou a engraçar-se para cima de Helena. Esta não queria nada, estava com dezoito anos e ele era um velhaco! Ele tentou forçá-la... e, bem, digamos que pagou sério por isso. Além de ter sentido uma dor tremenda em uma certa parte do corpo, perdeu sua dubladora profissional e mais algumas notas verdes do caixa.
Ela estava novamente nas ruas.
E aqui estamos nós. Eu sou um mendigo, Helena narrou-me toda a sua história. No dia em que fugiu do bar, eu lhe emprestei meu ombro, e ela chorou. Pediu que eu a escutasse. E eu o fiz.
Ela é famosa hoje em dia, ah, se é! Uma escritora de renome. Graças a mim, sim senhor, ela vinha toda semana contar-me sobre o que escrevia... tudo sempre triste. Até que um dia, quando eu estava a beirar a morte, roguei-lhe...
- Uma estória, vamos lá, você consegue. Feliz...
E foi esta estória que todos leram em todos os cantos do mundo.
Não ligue, leitor, para minha boba história. Mas esta menina acreditou nos seus sonhos, e isto vale demais.
quarta-feira, junho 20, 2007
Eu.
Hoje eu quero falar sobre mim. Eu basicamente nunca toco nesse assunto por aqui, e quase nenhum texto é realmente subjetivo. Ora, escrevo com a alma, sinto o que a personagem sente, choro com ela. Mas não sou eu quem está perdida, angustiada, feliz, apesar de todos os sentimentos, ambições e medos virem da minha própria alma.
Eu amo escrever. E não é tão simples assim. Eu não consigo amar muitas coisas, sou uma pessoa um pouco fechada para o sentimento do senso comum. Se sinto, sinto intensamente, até sangrar. E é o que sinto quando escrevo: o sangue. Sinto-o pulsar em minha veias, passeando por todo meu corpo até cair em minhas mãos.
Tenho crises constantes quando não consigo escrever, é como se eu estivesse vazia, sem uma parte essencial de mim. Mas acho que isso é normal, afinal tenho muitas crises, algumas delas provavelmente pela minha idade tão singela: quinze.
Não me sinto diferente com quinze anos, de como me sentia aos quatorze. Todavia algo em mim muda a cada segundo que passa, tal como a luz do sol renasce todos os dias. Uns devem chamar este algo de amadurecimento, outros de abandono filosófico, outros de a merda da puberdade. Eu chamo de viver.
Sabe, eu magôo as pessoas com uma facilidade tremenda, e esta é uma das coisas que necessito transformar. Não acredito em personalidade "forte", mas em personalidade difícil. E penso que a minha é um pouco... irritante. Sou sincera demais e a mais, odeio hipocrisia, falo o que der na telha, e em momentos não muito convenientes. Essa sinceridade em excesso machuca muitas pessoas que me rodeiam. Sou teimosa, cabeça-dura, dona-da-razão, orgulhosa, [coloque aqui mais algum adjetivo apto]. Se acho que estou certa, não importa o que você diga, minha opinião não muda! Eu odeio isso. Odeio, odeio, odeio. É algo que tento mudar, mas não consigo. Já melhorei bastante, nada sério.
Possuo uma frieza imensurável, em certos momentos, que me impressiono comigo mesma. Por horas, choro por tudo. Por outras, não derramo uma lágrima. Sou distante, sem nem ao menos perceber. Isso cria uma falsa impressão de mim a qualquer pessoa. Já escutei várias primeiras idéias sobre mim, quase nenhuma bate com a realidade: arrogante, convencida, tímida demais, extrovertida demais, alegre a todo o tempo, triste, séria. Apesar de eu ter um pouco disto tudo, não consigo definir-me, pois me sou a cada momento, e eu sou muitas coisas.
Minha percepção da realidade é a pior de todas: não sei se existo, e pensar nisso deixa-me tonta. Não sei se estou aqui escrevendo, pensando e tentando sentir-me um pouco mais. Difícil de explicar, porém muito fácil de entender. Eu sou a Priscila, eu, eu, eu. Mas, e se eu não me for? E se eu for o que não sou? Bem, acho que algumas pessoas já devem ter-se perguntado sobre isso.
Com relação a achismos, ACHO que isso é algo conceituoso demais. Não acho que música clássica seja melhor que funk. Não acho que sou mais inteligente que o guri que escreve tudo errado. Não acho que ninguém seja melhor que ninguém. Acho que há pessoas boas e ruins, e que essas pessoas ruins podem tornar-se boas e que merecem ser perdoadas se se arrependerem de seus atos. Sou contra todo o tipo de morte, sou contra ao sofrimento e à infelicidade alheia por fatores egoístas.
Bem, eu sou a Priscila, a menina chata, revoltada, amável, respondona, receptiva. Mas, antes de tudo, sou um ser humano com sentimentos. Talvez seja isso que eu deva colocar em minha cabeça: errar é viver, viver é aprender.
Acabou a vontade de falar de mim, vou postar logo antes que dê vontade de apagar esse texto.
Eu amo escrever. E não é tão simples assim. Eu não consigo amar muitas coisas, sou uma pessoa um pouco fechada para o sentimento do senso comum. Se sinto, sinto intensamente, até sangrar. E é o que sinto quando escrevo: o sangue. Sinto-o pulsar em minha veias, passeando por todo meu corpo até cair em minhas mãos.
Tenho crises constantes quando não consigo escrever, é como se eu estivesse vazia, sem uma parte essencial de mim. Mas acho que isso é normal, afinal tenho muitas crises, algumas delas provavelmente pela minha idade tão singela: quinze.
Não me sinto diferente com quinze anos, de como me sentia aos quatorze. Todavia algo em mim muda a cada segundo que passa, tal como a luz do sol renasce todos os dias. Uns devem chamar este algo de amadurecimento, outros de abandono filosófico, outros de a merda da puberdade. Eu chamo de viver.
Sabe, eu magôo as pessoas com uma facilidade tremenda, e esta é uma das coisas que necessito transformar. Não acredito em personalidade "forte", mas em personalidade difícil. E penso que a minha é um pouco... irritante. Sou sincera demais e a mais, odeio hipocrisia, falo o que der na telha, e em momentos não muito convenientes. Essa sinceridade em excesso machuca muitas pessoas que me rodeiam. Sou teimosa, cabeça-dura, dona-da-razão, orgulhosa, [coloque aqui mais algum adjetivo apto]. Se acho que estou certa, não importa o que você diga, minha opinião não muda! Eu odeio isso. Odeio, odeio, odeio. É algo que tento mudar, mas não consigo. Já melhorei bastante, nada sério.
Possuo uma frieza imensurável, em certos momentos, que me impressiono comigo mesma. Por horas, choro por tudo. Por outras, não derramo uma lágrima. Sou distante, sem nem ao menos perceber. Isso cria uma falsa impressão de mim a qualquer pessoa. Já escutei várias primeiras idéias sobre mim, quase nenhuma bate com a realidade: arrogante, convencida, tímida demais, extrovertida demais, alegre a todo o tempo, triste, séria. Apesar de eu ter um pouco disto tudo, não consigo definir-me, pois me sou a cada momento, e eu sou muitas coisas.
Minha percepção da realidade é a pior de todas: não sei se existo, e pensar nisso deixa-me tonta. Não sei se estou aqui escrevendo, pensando e tentando sentir-me um pouco mais. Difícil de explicar, porém muito fácil de entender. Eu sou a Priscila, eu, eu, eu. Mas, e se eu não me for? E se eu for o que não sou? Bem, acho que algumas pessoas já devem ter-se perguntado sobre isso.
Com relação a achismos, ACHO que isso é algo conceituoso demais. Não acho que música clássica seja melhor que funk. Não acho que sou mais inteligente que o guri que escreve tudo errado. Não acho que ninguém seja melhor que ninguém. Acho que há pessoas boas e ruins, e que essas pessoas ruins podem tornar-se boas e que merecem ser perdoadas se se arrependerem de seus atos. Sou contra todo o tipo de morte, sou contra ao sofrimento e à infelicidade alheia por fatores egoístas.
Bem, eu sou a Priscila, a menina chata, revoltada, amável, respondona, receptiva. Mas, antes de tudo, sou um ser humano com sentimentos. Talvez seja isso que eu deva colocar em minha cabeça: errar é viver, viver é aprender.
Acabou a vontade de falar de mim, vou postar logo antes que dê vontade de apagar esse texto.
terça-feira, junho 19, 2007
romeoejulieta
Tudo parece ter acontecido em um momento único, tu em meus braços, e nada mais. Aqueles instantes em que tudo é eternizado, brilho de alma única. Ó Romeo, Romeo. Se não tivesses corrido da ausência, da falta do que não vem, onde estaríamos nós?
Tu me pagaste com a vida, e eu com minha morte. A estrela acendeu os olhos para ti, para seu sorriso final. O momento se foi, apesar de eterno, e tudo que desejo é que sejas Romeo outra vez. Que me dês a mão para voarmos pelo infinito e que pisques os olhos, tão doces, para mim.
É inverno, meu querido. E tua ausência é forte. Foste em essência, não em carne. Ainda guardo teu corpo em minha sala velada, com rosas vemelhas e mariposas negras. Todos os dias dou-te um beijo nos lábios gélidos, roxos, queimados. Quero ter-te em beijos de amor... Daria tudo para voltar ao céu e sair deste inferno maldito!
Sou sua não-Julieta, a que tu mais odeias e desprezas, mas, ainda assim, eu te amo com fervor.
Meu Romeo de outono, e falsa miragem de primavera.
Tu me pagaste com a vida, e eu com minha morte. A estrela acendeu os olhos para ti, para seu sorriso final. O momento se foi, apesar de eterno, e tudo que desejo é que sejas Romeo outra vez. Que me dês a mão para voarmos pelo infinito e que pisques os olhos, tão doces, para mim.
É inverno, meu querido. E tua ausência é forte. Foste em essência, não em carne. Ainda guardo teu corpo em minha sala velada, com rosas vemelhas e mariposas negras. Todos os dias dou-te um beijo nos lábios gélidos, roxos, queimados. Quero ter-te em beijos de amor... Daria tudo para voltar ao céu e sair deste inferno maldito!
Sou sua não-Julieta, a que tu mais odeias e desprezas, mas, ainda assim, eu te amo com fervor.
Meu Romeo de outono, e falsa miragem de primavera.
quinta-feira, junho 14, 2007
Piscar De Olhos.
Talvez eu lhe sinta muita saudade.
Não, sem talvezes. É sentido, obviamente.
Eu venho andando pelas ruas sem você, e isso quase chora. Eu ainda posso ver nossos braços em nossos ombros rindo de nossos gritos. Gritos de um pingo de felicidade compartilhada, e o êxtase pós-semana. Escuto nossas conversas, nossas histórias inventadas, e cada lembrança entra como uma faca em minha alma, dividindo-a em dois mundos: o antes e o agora.
Eu a vi descendo a escada. Cada degrau, um impulso. Tive a vontade louca de puxar-lhe os cabelos, de socar-lhe a cara, várias e várias e várias vezes. E, em minha imaginação, esperei que me batesse de volta, que me machucasse. E, principalmente, que me arrancasse sangue.
Mas por que não o fiz? Por que nunca arranquei todos os seus fios de cabelo? Por que, após ter-lhe matado, não a abracei de volta?
Porque sou covarde. Não tive coragem, até agora, de admitir a falta. Pois ainda não me domina por completo, ainda consigo agüentar em não ver o sangue pulsar. Mas eu lhe garanto que você é tão covarde quanto eu. Somos uma faca de dois gumes.
Eu nunca admiti para ninguém que estou morrendo por dentro. Que há algo em meus olhos dilacerado. Pois admito agora. Eu sinto doer, e dói muito. Não há outrem, não consigo deixar que entrem em minha mente, que leiam minha alma, como você um dia leu. Tenho certeza que ainda tenta fazê-lo, mas de sua forma discreta.
Eu preciso de você.
Mas parece que somente o precisar não basta.
Eu preciso que você precise de mim.
Não, sem talvezes. É sentido, obviamente.
Eu venho andando pelas ruas sem você, e isso quase chora. Eu ainda posso ver nossos braços em nossos ombros rindo de nossos gritos. Gritos de um pingo de felicidade compartilhada, e o êxtase pós-semana. Escuto nossas conversas, nossas histórias inventadas, e cada lembrança entra como uma faca em minha alma, dividindo-a em dois mundos: o antes e o agora.
Eu a vi descendo a escada. Cada degrau, um impulso. Tive a vontade louca de puxar-lhe os cabelos, de socar-lhe a cara, várias e várias e várias vezes. E, em minha imaginação, esperei que me batesse de volta, que me machucasse. E, principalmente, que me arrancasse sangue.
Mas por que não o fiz? Por que nunca arranquei todos os seus fios de cabelo? Por que, após ter-lhe matado, não a abracei de volta?
Porque sou covarde. Não tive coragem, até agora, de admitir a falta. Pois ainda não me domina por completo, ainda consigo agüentar em não ver o sangue pulsar. Mas eu lhe garanto que você é tão covarde quanto eu. Somos uma faca de dois gumes.
Eu nunca admiti para ninguém que estou morrendo por dentro. Que há algo em meus olhos dilacerado. Pois admito agora. Eu sinto doer, e dói muito. Não há outrem, não consigo deixar que entrem em minha mente, que leiam minha alma, como você um dia leu. Tenho certeza que ainda tenta fazê-lo, mas de sua forma discreta.
Eu preciso de você.
Mas parece que somente o precisar não basta.
Eu preciso que você precise de mim.
quinta-feira, maio 10, 2007
EuVocêUniversoAnjo.
É fácil ler em seus olhos
Toda a vida que não passa,
O tempo que voa,
O sorriso sem medida.
Você e seu céu-sonhar
Que me acompanha
Até mesmo quando me adormeço
Em pesadelos de azul.
Um anjo é sua alma
Que não percebe suas palavras
Tão belas e serenas:
Palavras de amor!
Tenho medo de fechar os olhos
E não tê-lo mais em meus braços,
Mas você voa em minhas asas para sempre:
Não há o que temer!
Te adoro, anjo, amor
O amor é adoração de deus
E você não é mais nada que eu
E eu não sou mais nada que o universo eterno.
Toda a vida que não passa,
O tempo que voa,
O sorriso sem medida.
Você e seu céu-sonhar
Que me acompanha
Até mesmo quando me adormeço
Em pesadelos de azul.
Um anjo é sua alma
Que não percebe suas palavras
Tão belas e serenas:
Palavras de amor!
Tenho medo de fechar os olhos
E não tê-lo mais em meus braços,
Mas você voa em minhas asas para sempre:
Não há o que temer!
Te adoro, anjo, amor
O amor é adoração de deus
E você não é mais nada que eu
E eu não sou mais nada que o universo eterno.
terça-feira, abril 17, 2007
Entre Ódio e Sangue.
Já era tarde. Ele escoltava a arma na mão. As lágrimas escorriam de seu rosto: era o ódio nascendo. A coragem ia e voltava de seu corpo, como o sol se punha todos os dias, sem cansar-se. Seu sangue borbulhava em suas veias, e a pura indecisão voava em seu corpo inteiro.
Ele andava de um lado para o outro, naquela rua escura. Apenas uma luz estava acesa, tal que era suficiente para iluminar-lhe o rosto moço e já tão abatido. Apertava a mão suada e quase tinha medo daquele escuro, tão letal como a manhã que já se passara há poucas horas.
Sentou-se na beirada da calçada e chorou. Ninguém o escutaria, pois aveludam-se os sons para dentro da alma. Era noite, e estava sozinho, também se fosse dia o estaria. Não tinha certeza se iria conseguir fazê-lo, mas o pior dos sentimentos o sugava a cada respirar. A dor o sufocava, a verdade o tocava.
Em sua mente, viam-se todas as cenas já acontecidas, uma por uma, até o último segundo do infinito, onde parar o movimento seria tão impossível quanto sorrir agora.
A primeira lembrança: os gritos. Ele escutava os sons, mas não reconhecia as palavras. Era ela, apenas sabia, sofrendo e pedindo por ajuda. Quase uma sinfonia de adeus e vontade de desexistir.
Depois segue-se o sangue. Sua arte vermelha arrastava-se por toda a casa até o branco saciar-se em agonia. O sangue dela, que também é seu, foi morto sem escapatória, a crueldade foi lenta e sem intevalos.
Ele a vira ser morta: vingança. Morta por seu amante eterno, tão ilustre, que tanto causava-lhe suspiros apaixonados. Sua própria mãe morta por seu próprio pai. Ele deseja que nada tivesse visto. Deseja que tivesse a chave para voltar pela porta do ontem e ter gritado, arrancando-lhe das mãos brutais.
Mas o presente o aguarda: um carro vem pela rua. Pára perto da luz, e desce um homem. Parece cansado, tem os olhos calmos.
- Meu filho.
Dá-se um abraço.
- Meu pai.
Suspiros, olhares trocados.
- Sinto já tanto a falta de sua mãe, mal se fora de meus braços para o eterno. Devemos unir-nos mais, agora, em função da tristeza.
Cafajeste.
O filho tremia, as palavras do pai somente fizeram-no ter mais ódio. Ele Começou a chorar, o pai sorriu, em disfarce.
- Dê-me mais um abraço, venha cá.
Seria agora. Colocou a mão no bolso e foi abraçá-lo. Dar-lhe-ia um tiro na cabeça, ele veria a escuridão!
- Ah, meu filho! Não se ocupe em tentativas, em pensamentos[...] - calou-se, deixando continuidade.
Ele levantou a arma até a cabeça do pai e, quando ia puxar o gatilho, cravou-se uma estaca em seu peito. E também em sua alma.
- [...] A vingança pode não ser completa.
E se foi, deixando sangue do seu sangue jorrando do peito de seu primogênito, até a morte beijar-lhe os lábios em gratidão.
A vida, às vezes, pode ser sem rumo. Para uns, é alegria. Para outros, perdição. A verdade, em campo de batalha, não existe. Por isso o sangue escorre da mentira e da falta de piedade de quem luta pela sobrevivência.
Ele andava de um lado para o outro, naquela rua escura. Apenas uma luz estava acesa, tal que era suficiente para iluminar-lhe o rosto moço e já tão abatido. Apertava a mão suada e quase tinha medo daquele escuro, tão letal como a manhã que já se passara há poucas horas.
Sentou-se na beirada da calçada e chorou. Ninguém o escutaria, pois aveludam-se os sons para dentro da alma. Era noite, e estava sozinho, também se fosse dia o estaria. Não tinha certeza se iria conseguir fazê-lo, mas o pior dos sentimentos o sugava a cada respirar. A dor o sufocava, a verdade o tocava.
Em sua mente, viam-se todas as cenas já acontecidas, uma por uma, até o último segundo do infinito, onde parar o movimento seria tão impossível quanto sorrir agora.
A primeira lembrança: os gritos. Ele escutava os sons, mas não reconhecia as palavras. Era ela, apenas sabia, sofrendo e pedindo por ajuda. Quase uma sinfonia de adeus e vontade de desexistir.
Depois segue-se o sangue. Sua arte vermelha arrastava-se por toda a casa até o branco saciar-se em agonia. O sangue dela, que também é seu, foi morto sem escapatória, a crueldade foi lenta e sem intevalos.
Ele a vira ser morta: vingança. Morta por seu amante eterno, tão ilustre, que tanto causava-lhe suspiros apaixonados. Sua própria mãe morta por seu próprio pai. Ele deseja que nada tivesse visto. Deseja que tivesse a chave para voltar pela porta do ontem e ter gritado, arrancando-lhe das mãos brutais.
Mas o presente o aguarda: um carro vem pela rua. Pára perto da luz, e desce um homem. Parece cansado, tem os olhos calmos.
- Meu filho.
Dá-se um abraço.
- Meu pai.
Suspiros, olhares trocados.
- Sinto já tanto a falta de sua mãe, mal se fora de meus braços para o eterno. Devemos unir-nos mais, agora, em função da tristeza.
Cafajeste.
O filho tremia, as palavras do pai somente fizeram-no ter mais ódio. Ele Começou a chorar, o pai sorriu, em disfarce.
- Dê-me mais um abraço, venha cá.
Seria agora. Colocou a mão no bolso e foi abraçá-lo. Dar-lhe-ia um tiro na cabeça, ele veria a escuridão!
- Ah, meu filho! Não se ocupe em tentativas, em pensamentos[...] - calou-se, deixando continuidade.
Ele levantou a arma até a cabeça do pai e, quando ia puxar o gatilho, cravou-se uma estaca em seu peito. E também em sua alma.
- [...] A vingança pode não ser completa.
E se foi, deixando sangue do seu sangue jorrando do peito de seu primogênito, até a morte beijar-lhe os lábios em gratidão.
A vida, às vezes, pode ser sem rumo. Para uns, é alegria. Para outros, perdição. A verdade, em campo de batalha, não existe. Por isso o sangue escorre da mentira e da falta de piedade de quem luta pela sobrevivência.
quinta-feira, abril 12, 2007
Orvalho.
Aqui, por onde vejo as nuvens passar
E por onde o tempo parece estático,
Às vezes consigo sentir cada átomo do
Universo misturar-se à minha alma.
As asas dos anjos roçam por meus cabelos,
Até a vida tornar-se eterna.
E o vento parece ser um sopro de paz,
Em meio a tanto azul que escorre do céu.
Ao lado de Deus pareço estar,
Sem nenhum pecado ou rancor.
Somente impulsionado por este vento
E de corpo e alma pintados de arco-iris.
E por onde o tempo parece estático,
Às vezes consigo sentir cada átomo do
Universo misturar-se à minha alma.
As asas dos anjos roçam por meus cabelos,
Até a vida tornar-se eterna.
E o vento parece ser um sopro de paz,
Em meio a tanto azul que escorre do céu.
Ao lado de Deus pareço estar,
Sem nenhum pecado ou rancor.
Somente impulsionado por este vento
E de corpo e alma pintados de arco-iris.
quarta-feira, março 28, 2007
quarta-feira, março 14, 2007
SonhoSonharSonhado.
Meu sonho é poder sonhar.
Eu não sei fazê-lo, você pode me ensinar?
O rosa se mistura com o azul,
E o verde com o blue.
Como posso misturar as cores?
Não sei misturar nada, senão dores com amores!
Oh, por favor!
Tome um papel em branco e sinta seu calor.
Minha vida é não saber,
Como posso desenhar e pintar sem escurecer?
Apenas sinta o que deve sentir,
Não tente olhar nem contar, apenas deixe a tinta fluir.
Senhor, bigode e óculos!
Sou jovem, desprotegido, dê-me todos seus votos!
Não posso e não devo!
Você é quem deve descobrir a sorte do trevo!
Eu só quero sonhar,
O que precisa um pobre homem fazer para amar?
Adeus, homem sem sonhos!
Nada mais posso tirar, senão de uma cartola coloridos pombos!
Oh, que se vá!
Aqui eu fico cavando meu túmulo real com uma pá!
Um dia você vai sonhar,
Apena sonhe com isso e sonhando já vai estar!
Talvez eu seja o sonho amado,
O que tanto almejo calado.
Sim, você é.
Agora, por favor, saia do meu pé!
Sairei e voltarei a sonhar!
Adeus, óculos, tesoura e calcanhar!
Eu não sei fazê-lo, você pode me ensinar?
O rosa se mistura com o azul,
E o verde com o blue.
Como posso misturar as cores?
Não sei misturar nada, senão dores com amores!
Oh, por favor!
Tome um papel em branco e sinta seu calor.
Minha vida é não saber,
Como posso desenhar e pintar sem escurecer?
Apenas sinta o que deve sentir,
Não tente olhar nem contar, apenas deixe a tinta fluir.
Senhor, bigode e óculos!
Sou jovem, desprotegido, dê-me todos seus votos!
Não posso e não devo!
Você é quem deve descobrir a sorte do trevo!
Eu só quero sonhar,
O que precisa um pobre homem fazer para amar?
Adeus, homem sem sonhos!
Nada mais posso tirar, senão de uma cartola coloridos pombos!
Oh, que se vá!
Aqui eu fico cavando meu túmulo real com uma pá!
Um dia você vai sonhar,
Apena sonhe com isso e sonhando já vai estar!
Talvez eu seja o sonho amado,
O que tanto almejo calado.
Sim, você é.
Agora, por favor, saia do meu pé!
Sairei e voltarei a sonhar!
Adeus, óculos, tesoura e calcanhar!
domingo, fevereiro 25, 2007
O Trem.
É um trem imenso, por onde todos viajam. Sua plataforma é feita de vento, para que empurre os sentimentos rumo ao futuro. Possui somente cinco vagões, um para cada fase da vida e o último para a não-fase.
Ele pisou no primeiro vagão. O trem parecia ir devagar, as janelas estavam meio fechadas, e o ar entrava de leve. Tudo era mágico: o balançar, os trilhos soltando algumas faíscas, de vez em quando, e a música tocada por ninguém. Olhava por uma das janelas, e os trilhos pareciam não haver fim.
Ele via outros, debruçando-se pelas janelas e brincando e rodando e pulando. Dizia-se, por aí, que este era o mais bagunçado vagão de todos. E também o mais feliz. Ele não sabia se era, afinal, nunca visitara os outros. E não podia fazê-lo, até que um camareiro viesse entregar-lhe a chave para abrir a porta de ligação.
Ele pisou no segundo vagão. A sensação foi estranha. Achava que nunca receberia chave alguma. Mas, enfim, uma porta se abriu. Como este era diferente do primeiro! Umas garotas, que nunca havia reparado antes, piscavam para ele, e alguns de seus amiguinhos bebiam líquidos que os deixavam muito, muito felizes.
Ele sentia como se o trem houvesse disparado. Os trilhos e a paisagem passavam rápido. Ele nem conseguia ver as árvores direito. Começou a sentir uma pontada de saudade do primeiro vagão. E uma saudade dos seus antigos amigos que, agora, estavam tão diferentes do que já foram um dia.
Ele pisou no terceiro vagão. Sua cabeça doía. O trem andava mais rápido do que nunca! Nem chegava mais perto das janelas. Ora, para quê? Conhecia aquele cenário há muito, estava cansado de árvores, casas, trilhos, ah! Tudo se repetia, tudo. Seu coração fora partido e estava sozinho, sem vontade para nada.
Foi quando ele sentiu a vontade louca de voltar os vagões. De fugir para o primeiro, para sua lentidão. Mas não pôde voltar, a porta estava trancada para sempre. Começou a chorar. Estava sozinho, enjoado. Pensou em pular pela janela, mas resolveu sentar-se e esperar pelo que vinha pela frente. Nada poderia piorar.
Ele pisou no quarto vagão. Apaixonou-se por um lindo par de olhos cansados e tristes. Pena tê-la conhecido apenas no penúltimo vagão. Queria viver com ela para sempre! E viveu. Mas o último vagão estava chegando, e ele começou a temer. Afinal, o que vinha após o último? O último de tudo?
Passou a ver graça em tudo novamente, pois era o último vagão chegando! Sentou-se, com sua amada, em uma noite chuvosa, e fez juras de amor eterno. Sentiria sua falta, onde quer que fosse parar. Não é preciso citar o quão doloroso foi o adeus dos dois corações rubros e cheios de vida para oferecer.
Ele pisou no quinto vagão. Lembrou-se de tudo que havia passado até ali e chorou. Era tudo tão colorido, misturado, sereno...
Foi avisado que, na próxima estação, deixaria o trem para sempre.
E soltou. Sozinho, até desfazer-se inteiro e misturar-se com o vento. Perdeu os pensamentos, ou estes simplesmente deixaram-se perder.
Mas o trem continuou.
Sem parar. Sem parar. Sem parar.
Eternamente...
Ele pisou no primeiro vagão. O trem parecia ir devagar, as janelas estavam meio fechadas, e o ar entrava de leve. Tudo era mágico: o balançar, os trilhos soltando algumas faíscas, de vez em quando, e a música tocada por ninguém. Olhava por uma das janelas, e os trilhos pareciam não haver fim.
Ele via outros, debruçando-se pelas janelas e brincando e rodando e pulando. Dizia-se, por aí, que este era o mais bagunçado vagão de todos. E também o mais feliz. Ele não sabia se era, afinal, nunca visitara os outros. E não podia fazê-lo, até que um camareiro viesse entregar-lhe a chave para abrir a porta de ligação.
Ele pisou no segundo vagão. A sensação foi estranha. Achava que nunca receberia chave alguma. Mas, enfim, uma porta se abriu. Como este era diferente do primeiro! Umas garotas, que nunca havia reparado antes, piscavam para ele, e alguns de seus amiguinhos bebiam líquidos que os deixavam muito, muito felizes.
Ele sentia como se o trem houvesse disparado. Os trilhos e a paisagem passavam rápido. Ele nem conseguia ver as árvores direito. Começou a sentir uma pontada de saudade do primeiro vagão. E uma saudade dos seus antigos amigos que, agora, estavam tão diferentes do que já foram um dia.
Ele pisou no terceiro vagão. Sua cabeça doía. O trem andava mais rápido do que nunca! Nem chegava mais perto das janelas. Ora, para quê? Conhecia aquele cenário há muito, estava cansado de árvores, casas, trilhos, ah! Tudo se repetia, tudo. Seu coração fora partido e estava sozinho, sem vontade para nada.
Foi quando ele sentiu a vontade louca de voltar os vagões. De fugir para o primeiro, para sua lentidão. Mas não pôde voltar, a porta estava trancada para sempre. Começou a chorar. Estava sozinho, enjoado. Pensou em pular pela janela, mas resolveu sentar-se e esperar pelo que vinha pela frente. Nada poderia piorar.
Ele pisou no quarto vagão. Apaixonou-se por um lindo par de olhos cansados e tristes. Pena tê-la conhecido apenas no penúltimo vagão. Queria viver com ela para sempre! E viveu. Mas o último vagão estava chegando, e ele começou a temer. Afinal, o que vinha após o último? O último de tudo?
Passou a ver graça em tudo novamente, pois era o último vagão chegando! Sentou-se, com sua amada, em uma noite chuvosa, e fez juras de amor eterno. Sentiria sua falta, onde quer que fosse parar. Não é preciso citar o quão doloroso foi o adeus dos dois corações rubros e cheios de vida para oferecer.
Ele pisou no quinto vagão. Lembrou-se de tudo que havia passado até ali e chorou. Era tudo tão colorido, misturado, sereno...
Foi avisado que, na próxima estação, deixaria o trem para sempre.
E soltou. Sozinho, até desfazer-se inteiro e misturar-se com o vento. Perdeu os pensamentos, ou estes simplesmente deixaram-se perder.
Mas o trem continuou.
Sem parar. Sem parar. Sem parar.
Eternamente...
Assinar:
Postagens (Atom)