terça-feira, dezembro 28, 2010

não sei.

é isso que tenho para dizer agora, quase como uma sinceridade obssessiva. você pode agüentar isso, só um pouco? essa sinceridade que tento te dar, como um presente guardado de antes, um folheto de política cheio de sonhos que ainda não se concluíram. pois parece que você não consegue, que tenta me forçar a sentir algo que não sei nem se posso mais sentir, porque estou em um momento de diferenças, não de somas, quase como um parto sem dor.
é a vida. é isso, meu deus, por que juntar as migalhas que já foram comidas pelos pássaros? as coisas são, não se pretendem. as migalhas não estão mais no chão, não há mais o que ser junto. e a vida passa, nos beija, deixa cartas por baixo da porta, me dá uma bala no final do dia pra eu conseguir sobreviver à amargura.
nada do que você me diz dói de verdade. porque é tudo mentira, mas não uma mentira dita de propósito, pensada e criada. mas uma mentira em que você acredita, porque há num enorme vazio entre o que sou e o que você pensa. não que eu consiga me definir, e é óbvio que sempre estou. mas o que sinto o que vejo e o que respiro agora está longe, muito longe, de qualquer coisa.
não peço nada. na verdade, nem sei muito bem por que estou escrevendo isso. acho que preciso me esclarecer no mundo também. não é para você que escrevo, afinal, mas para mim.
eu só queria que você entedesse algumas coisas. a primeira é que a vida é fatalista. as coisas acontecem, independente de nós, como uma doença degenerativa e desesperadora. é isso. só nos resta chorar e tomar um vinho à noite, com a escuridão nos dando um banho de dor. a segunda é que as coisas são bem mais simples do que pensamos que são.

é preciso cheirar o mundo. sentir ou não sentir tudo que nos acerta, um carro desenfreado cheio de jovens bêbados que irão morrer em alguns segundos.
afinal, depois de todo os escândalos, choramos sozinhos na madrugada.

5 comentários:

Anônimo disse...

a medida exata da angústia

Elliott disse...

cuidado com o poste... ja somos poucos.
kkkkkkkk

Lygia Carvalho. disse...

é indiferente.

Bruno Tadeu disse...

Talvez seja necessária a confusão tomar conta de nós por certos instantes. Que seja vivida na intensidade que nos traz o mundo interior e companheiro para melhor compreendermos a simplicidade de viver. Falamos para ser compreendidos em distâncias inaudíveis, mas falamos até retornarem um alívio. Quem sabe a indiferença seja um passo a enfrentar para o compartilhamento da diversidade, e por sermos únicos nada se torna mentiras e verdades. Acreditar é um princípio viver é além

Anônimo disse...

Lixo pessimista.