segunda-feira, fevereiro 14, 2011

minhas palavras finais pra você...

minha vó se foi e já deixa saudades.
como aquele cheiro de flor dando adeus, mãos atadas ao peito e um brilho ainda suave na pele. tenho tantas coisas para jurar... e a primeira delas é que tentarei não ficar triste com as lembranças.
quando pisei naquele antro de pessoas que não via há anos, os olhos querendo transformar a sala em um rio minguante, entrei em um desespero de me lançar aos quatro cantos em pedaços. um sofá e mãos no rosto foi tudo que consegui projetar.
o caixão bem à frente, o tumulto, os rostos de preto, o meu choro tremendo o corpo todo. eu só conseguia pensar: minha vó nunca mais vai me responder.
e se foi. e por isso a morte me assusta. porque se vai para nunca mais voltar. nunca é um tempo demais, é algo tenebroso e sem sentido, é sentir falta pra sempre. quando levantei e vi seu rostinho com que até pouco tempo eu costumava brincar... seus cabelos que não serão mais feitos de modelo para maria-chiquinha, as mãozinhas atadas como que em uma oração santa e alheia das explosões do mundo... quis dar um grito. que me chamassem de louca, que me dessem um tapa na cara para que eu percebesse onde eu estava.

dói. bastante. quando minha mãe me acordou e disse 'priscila, sua vó faleceu', eu quis me enterrar embaixo do silêncio, bater a porta do presente e denunciar ao mundo tudo que queria ser chorado. lembro de ter dito incontáveis nãos, de minha mãe ter resmungado que não deveria ter me contado naquela hora, da porta fechando e do telefone tocando várias vezes.

no carro, um choro de realidade. o pé no chão, um segurar tudo dentro de mim pro corpo não desmontar. com o cheiro de flores, o sufoco de dizer adeus e tocar a frieza que agora se tornara minha vó.
penso agora em como você está, o corpinho encolhido, as baratas passando pelos dedos, pela boca, pela sua santinha que tanto segura na mão.

se de tudo isso eu pudesse guardar alguma coisa, seria teu sorriso naqueles dias distraídos, quando a lucidez ainda vinha se alimentar dos sentimentos e da luz e do ar em volta... e da vida.

2 comentários:

Bruno Tadeu disse...

Todo seu choro e sua dor são sentimentos puros e lindos do qual nunca a farão esquecer o amor por sua avó.

Bruno Machado disse...

Entendo perfeitamente!
Dói, mas a dor é inerente ao espírito, :|
Só o tempo...
Beijo.